Há 100 anos nascia Paulo Freire no Recife.

Criador de um método inovador para alfabetização de jovens e adultos, Paulo Freire propôs o ato de educar como construção mútua de saberes entre estudantes e professores, que se dava pela presença permanente do diálogo. As existências, experiências e vivências de cada um dos presentes, naquele círculo de cultura, protagonizavam o processo de aprendizado.

Freire também defendia a educação enquanto ato político, promotora de cidadania, sendo capaz de tornar o ser humano conhecedor de si e do seu papel na sociedade, fornecendo-lhe ferramentas para intervir na realidade de maneira crítica e ativa. "Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo", afirmava o pensador.

Nos anos 1960, Paulo Freire foi perseguido pela ditadura empresarial-militar e se exilou no Chile. Dava-se início a uma virtuosa jornada de reconhecimento internacional, período marcado por uma produção bibliográfica importantíssima, em que se destacam clássicos como Educação como Prática da Liberdade e Pedagogia do Oprimido. Suas obras foram traduzidas em mais de 20 idiomas.

Assim, o patrono da educação brasileira foi também do mundo: ao todo, foram mais de 40 títulos de doutor honoris causa concedidos por universidades como Harvard, Oxford e Cambridge. De volta ao Brasil, no período de redemocratização, o educador e filósofo foi ainda secretário municipal de educação da Prefeitura de São Paulo de 1989 a 1991.

Paulo Freire nos deixou em 1997. No entanto, pode-se notar a atualidade com que suas ideias e obras se projetam num contexto de enfrentamento de tentativas sistemáticas de esvaziamento do caráter crítico, plural e democrático da educação no país. Freire representa a antítese de qualquer modelo que se pretenda meramente instrumental e, principalmente, reprodutor das desigualdades.

Paulo Freire sempre presente!

Arte: Marco Ribeiro (Coordcom/UFRJ)

Ilustração com o rosto de Paulo Freire em preto e branco com fundo em desenho de silhueta de cidade à esquerda e estante de livros à direita em amarelo e dourado. Na altura do peito de Paulo Freire, que usa uma camisa preta, está escrito 100 anos também em tom dourado.

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