Brusque diz que Celsinho, vítima de racismo, fez falsa imputação de crime e cita "oportunismo"

Árbitro registrou na súmula que jogador do Londrina ouviu a frase "vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha", mas clube catarinense afirma que tomará medidas contra ele

A diretoria do Brusque emitiu nota neste domingo na qual diz que o meia Celsinho, do Londrina, fez "falsa imputação de crime" ao informar que foi vítima de racismo de um dirigente do clube catarinense no jogo entre as duas equipes no sábado.

O comentário de uma pessoa ligada ao Brusque – o jogo teve portões fechados para torcedores – foi registrado na súmula pelo árbitro Fábio Augusto Santos Sá Junior. Segundo o texto, um integrante do staff do Quadricolor disse a Celsinho: "Vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha".

Apesar do registro na súmula, a nota do Brusque nega qualquer ato de racismo e diz que o jogador "é conhecido por se envolver neste tipo de episódio". A diretoria do Quadricolor informa ainda que vai tomar medidas cabíveis contra o meia do Londrina.

Após o empate por 0 a 0 no estádio Augusto Bauer, Celsinho contou ao Premiere que foi vítima de racismo. Ele informou que vai tomar medidas jurídicas.

– Não sei se ele faz parte da comissão técnica, da diretoria, um senhor de vermelho no camarote. Também não entendo por que tem tantas pessoas assim em um protocolo que não estão liberados os jogos para os torcedores. É lamentável. Uma equipe de porte médio baixo recém-promovida à Série B de Brasileiro estar cometendo um ato desses é inadmissível, mas as providências serão tomadas.

O jogo de sábado foi o terceiro em que Celsinho foi alvo de racismo na Série B deste ano. Contra o Goiás, no dia 17 de julho, um narrador e um comentarista da Rádio Bandeirantes Goiânia usaram termos como "cabelo pesado", "bandeira de feijão" e "um negócio imundo" para comentar o cabelo do meia. A dupla pediu desculpas nas redes sociais e foi afastada da emissora.

Menos de uma semana depois, contra o Remo, o narrador Cláudio Guimarães, da Rádio Clube do Pará, afirmou que Celsinho "vai com seu cabelo meio ninho de cupim para bater na bola". Guimarães foi afastado pela emissora e também pediu desculpas pelo comentário.


Leia a nota do Brusque:

"O atleta Celso Honorato Júnior, reserva do Londrina E.C., relatou à imprensa que teria sido chamado de "macaco" por membros da Diretoria do Brusque F.C., durante o jogo realizado ontem (28/08). O Brusque F.C., sua torcida, diretoria, comissão técnica e patrocinadores sempre foram, ao longo da sua história, absolutamente respeitosos com relação a todos os princípios que regem as relações desportivas e humanas. Jamais permitiríamos qualquer atitude de conotação racista em nosso Clube, que condena veementemente qualquer pensamento ou prática nesse sentido. O atleta, por sua vez, é conhecido por se envolver neste tipo de episódio. Esta é pelo menos a 3ª vez, somente este ano, que alega ter sido alvo de racismo, caracterizando verdadeira "perseguição" ao mesmo. Importante esclarecer que, ao árbitro, o atleta não relatou ter sido chamado de "macaco", mas sim que teriam dito "vai cortar esse cabelo de cachopa de abelha", o que constou da súmula e revela a total contradição nos seus relatos. O Brusque F.C. reitera que nenhum de seus diretores praticou qualquer ato de racismo e tomará todas as medidas cabíveis para a responsabilização do atleta pela falsa imputação de um crime. Racismo é algo grave e não pode ser tratado como um artificio esportivo, nem, tampouco, com oportunismo".