Corinthians demite zagueiro Danilo Avelar por comentário racista em jogo on-line

Colunistas esportivos concordam com decisão do clube: sem contemplação com racismo, disse o jornalista Juca Kfouri

Gaviões da Fiel/Divulgação

O Sport Club Corinthians Paulista tomou uma atitude firme contra o racismo nesta quinta-feira (24) e demitiu o zagueiro Danilo Avelar após comentário racista em um jogo on-line na noite de ontem (23). O jogador alegou que foi ofendido por um usuário estrangeiro pelo fato de ser brasileiro e respondeu à provocação. Admitiu o erro, se arrependeu, mas a direção do Corinthians, pressionada por boa parte da torcida alvinegra, optou por encerrar o contrato com Danilo Avelar, que era válido até o fim do ano que vem.

A frase foi usada pelo atleta durante uma partida de Counter-Strike: Global Offensive. No chat do jogo, o corintiano, com o codinome D.A35, escreveu: “Fih de uma rapariga preta”, relata reportagem do Yahoo. O zagueiro foi imediatamente recriminado por outras pessoas que estavam on-line. O caso ganhou repercussão nas redes sociais e o comentário racista chegou ao conhecimento do Corinthians.

O zagueiro de 32 anos também foi às redes sociais para se explicar e pedir desculpas. “Errei, falhei e me envergonho muito disso. Na nossa sociedade temos que abolir qualquer forma de racismo. Gostaria de me desculpar com todos, sem exceção, mas sobretudo com a comunidade afrodescendente. De coração aberto, estou disposto a fazer desse erro um aprendizado honesto e integral”, escreveu.

Avelar está afastado dos gramados desde outubro do ano passado, quando sofreu grave lesão no joelho direito. Submetido a cirurgia, deveria voltar a treinar nas próximas semanas, informa o Yahoo.

Racismo é inviável

Para o jornalista e colunista esportivo Juca Kfouri, apresentador do programa Entrevistas, da TVT, a decisão da direção do Corinthians de demitir por comentário racista foi 100% acertada. “Sem contemplação com racismo, violência contra mulher, homofobia”, disse à reportagem do UOL.

“A diretoria corintiana, a quem não caberia outro gesto a não ser o afastamento, entendeu que a manifestação de seu contratado foi racista – e foi. Afaste-se, óbvio”, concordou a jornalista Milly Lacombe. “Como poderia o time que se declara ‘do povo’, um povo de maioria negra, manter em seu elenco um jogador racista.”

Para o apresentador Milton Neves, o Corinthians não fez nada mais que sua obrigação. “Só não entendi a demora. Jô foi punido apenas uma hora após o jogo contra o Bahia, quando ‘cometeu o crime’ de usar chuteiras verdes. Para mim, o clube já deveria ter comunicado que buscaria a melhor forma de encerrar o contrato de Avelar ainda pela manhã”, cornetou.

“Racismo é inviável”, cravou o colunista Danilo Lavieri. “Não se pode permitir que uma pessoa que cometa erros como esse nessa altura do campeonato continue sendo exposta com a sua marca. E o exemplo é fundamental para que o próximo pense duas vezes e reflita sobre esse tipo de atitude deplorável.”

Também colunista do UOL, Marcel Rizzo avalia que os clubes precisam começar a tratar seus jogadores como qualquer outro profissional e demitir, ou rescindir contratos no caso, em caso de faltas consideradas graves como uma injúria racial. “Jogadores se sentem seguros atrás desses contratos e clubes acabam reféns. Quando começarem a demitir, comportamento dos atletas no geral deve melhorar.”