A covardia é geral - Por Casagrande

Confesso que fui ingênuo em acreditar que os jogadores fossem realmente tomar uma atitude histórica de empatia ao nosso povo

Por Casagrande

O Brasil é um país governado por covardes que veem as pessoas morrendo, mas andam de moto e não compram vacinas. Destroem a Amazônia com a intenção de dizimar os povos indígenas e quilombolas.

No futebol, é a mesma coisa. Todos os dirigentes se calaram diante de uma acusação de assédio moral e sexual contra o Rogério Caboclo, presidente afastado da CBF. Para eles, é mais importante ajudar o acusado do que ser solidário a quem sofreu o assédio.

O que os bolsonaristas, e incluo os filhos do presidente, estão fazendo com o Tite é mais um ato covarde. O técnico nunca se manifestou politicamente. Acusá-lo de ser comunista porque pode ser contra a Copa América no Brasil é desonesto.

A atitude dos jogadores de decidirem jogar a Copa América é mais um ato covarde. Mostra que os atletas não estavam preocupados com a grave situação sanitária do país e, sim, com eles mesmos. Ficou tudo legal para os jogadores após o afastamento de Caboclo.

Essa é a geração de jogadores de futebol mais alienada que eu já vi desde anos de 1980. O importante para eles é estar nas redes sociais, mostrando suas mansões, seus carros...

Estamos atravessando o pior momento de identidade. Essas trevas que estamos passando deixam as pessoas mais vulneráveis, e esse governo mistura tudo com política. Quem está contra os pensamentos deles é de esquerda. Até na seleção brasileira colocaram esse conflito.

As recentes denúncias de assédio contra jogadores e agora dirigentes mostra como estamos com problemas de desvio de caráter.

Confesso que fui ingênuo em acreditar que os jogadores fossem realmente tomar uma atitude histórica de empatia ao nosso povo. Foi uma demonstração de comodidade e covardia perante a tudo o que está acontecendo no país.

Quando for possível voltar a viajar e alguém me perguntar como isso aconteceu, vou responder igual ao personagem Chicó, do Auto da Compadecida, interpretado por Selton Mello: "Não sei, só sei que foi assim".