Em live, Bolsonaro diz que não vai ter eleição em 2022 sem voto impresso

O presidente Jair Bolsonaro voltou a adotar a tática que aparentemente atende à estratégia de seu filho, Carlos Bolsonaro, que teria reassumido o Gabinete do Ódio, segundo o diário carioca Extra.

Bolsonaro ameaçou que não haverá eleição presidencial em 2022 sem voto impresso.

“Ninguém aceita mais esse voto que está aí. Como é que vai falar que esse voto é preciso, legal, justo e não é fraudado? A única ‘republiqueta’ do mundo é a nossa, que aceita essa porcaria desse voto eletrônico. Tem que ser mudado. E digo mais: se o parlamento brasileiro aprovar e promulgar, vai ter voto impresso em 2022, e ponto final. Não vou nem falar mais nada. Vai ter voto impresso. Se não tiver voto impresso, não vai ter eleição. Acho que o recado está dado”, afirmou o ocupante do Planalto em live no Facebook.

Bolsonaro respondia ao ministro do STF Luís Roberto Barroso, que também é presidente do TSE.

Barroso, em entrevista à Globonews, disse que mudanças no sistema eleitoral brasileiro poderiam provocar o caos.

“O Brasil tinha, nas últimas eleições que eu presidi, quase 500 mil candidatos. Você imagina se um terço deles resolver questionar o resultado e pedir conferência judicial dos votos. Nós vamos criar o caos no sistema que funciona muitíssimo bem”, afirmou.

Bolsonaro retrucou: “Eu acho que ele é o dono do mundo, o Barroso. Só pode ser. O homem da verdade absoluta, não pode ser contestado. Estou preocupado se Jesus Cristo baixar aqui na Terra, ele vai ser ‘boy’ do ministro Barroso”.

No dia anterior, Bolsonaro já havia dito que poderia determinar por decreto que os governos estaduais não impusessem lockdowns, sugerindo que nem o STF poderia barrá-lo.

O presidente da República também insinuou que a China tinha inventado o o coronavírus para obter vantagens econômicas.

“É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou nasceu porque um ser humano ingeriu um animal inadequado. Mas está aí, os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?”

Um porta-voz do governo chinês rejeitou a politização do tema.

Nos bastidores, a China reduziu em um terço o envio da matéria prima para a fabricação da Coronavac pelo Instituto Butantan, o que deve comprometer não só a aplicação da segunda dose, mas a vacinação dos brasileiros que tem menos de 60 anos de idade.