Chefe da PF no Amazonas é substituído após pedir investigação de Ricardo Salles por crimes ambientais

As denúncias feitas por outros países de devastação ambiental na Amazônia com a convivência do Governo Bolsonaro ganha um novo capítulo. O superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, enviou ao Supremo Tribunal Federal uma queixa-crime contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, acusando-o de dificultar a ação fiscalizadora no caso da maior apreensão de madeira ilegal do Brasil pela PF, ocorrida no Pará, em dezembro de 2020. Nesta quinta-feira, dia 15 de abril, em clara retaliação, o diretor-geral da Polícia Federal decidiu substituir Saraiva após o atrito com o representante do governo de Jair Bolsonaro.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, Alexandre Saraiva havia afirmado que “na Polícia Federal não vai passar boiada”, fazendo referência à fala de Salles na reunião ministerial vazada no ano passado, na qual o ministro afirmou que seria o momento ideal para o governo flexibilizar as normas ambientais. Saraiva também criticou Salles por criticar investigações que têm por objetivo central a preservação da floresta amazônica.

No Congresso Nacional, parlamentares de oposição já se movimentam para acusar improbidade sobre a mudança dentro da Polícia Federal. Na Câmara dos Deputados, o deputado federal Marcelo Freixo (Psol) já anunciou que está junto a outros deputados para acionar o Ministério Público Federal. “O desgoverno Bolsonaro transformou a proteção de criminosos em política de Estado. É um projeto de destruição do Brasil”, comentou Freixo.

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) também se manifestou sobre o assunto. “Bolsonaro está desmoralizando décadas de respeito e admiração do povo brasileiro pela Polícia Federal. Também aqui seu dedo podre está destruindo as instituições”, acusou.

Tudo isso acontecendo no momento que os Estados Unidos deram um ultimato ao Governo Bolsonaro que, ou o País cuida de barrar o desmatamento na Amazônia, ou adeus aos recursos internacionais para a sustentação do meio ambiente no Brasil. É a última chance de Bolsonaro mostrar preocupação ambiental para recuperar a confiança dos americanos e ampliar as relações com a Casa Branca.

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