Jornalistas são agredidos em ato estimulado por Bolsonaro

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa é comemorado com socos e pontapés em Brasília

"Tenho certeza de uma coisa, nós temos um povo emocionado, nós temos as Forças Armadas ao lado do povo pela lei", disse Bolsonaro no protesto em que participou na tarde deste domingo (3). 

Mais uma vez, o tom autoritário e agressivo de Jair Bolsonaro ecoou em seus seguidores. Num ato antidemocrático, no qual milhares de pessoas protestaram em frente ao Planalto pedindo o fechamento do Congresso e do STF, jornalistas e suas equipes foram agredidos com chutes e socos por apoiadores do presidente da República. 

A manifestação, que contou com a presença de Bolsonaro e sua filha de nove anos, Laura, ocorreu no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa e resultou em pancadaria, quando membros da mídia foram atacados por manifestantes. O fotógrafo Dida Sampaio do Estadão, e o motorista de sua equipe, Marcos Pereira, foram os primeiros a sofrer violência, que depois se estendeu ao repórter da Folha de S. Paulo Fabio Pupo, que tentou defender o par. O jornalista do Poder 360 Nivaldo Carboni também foi agredido fisicamente. Todos foram retirados do local por uma escolta policial e passam bem. 

Líderes democráticos rapidamente repudiaram os ataques, assim como o discurso bélico e absolutista do presidente da República. 

O líder da oposição na Câmara dos Deputados, André Figueiredo afirmou: 

“É inadmissível a agressão por parte de militantes bolsonaristas à equipe do Estadão, principalmente no Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. É a violência e a intolerância que vão ganhando força, cria de um presidente que ataca a democracia e se pauta pelo ódio e o autoritarismo”. 

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz também se pronunciou: 

“Os limites que existem são os da Constituição, e valem para todos, inclusive e sobretudo para o presidente. A única paciência que chegou ao fim, legitimamente e com razão, é a paciência da sociedade com um governante que negligencia suas obrigações, incita o caos e a desordem, em meio a uma crise sanitária e econômica”.

Em nota à imprensa, a ministra Carmen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, deixou claro seu repúdio aos acontecimentos:

"É inaceitável, é inexplicável que, no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, ainda tenhamos cidadãos que não entenderam que o papel da imprensa é que permite a nós sermos livres, e que garante a liberdade de expressão, sem a aqual não há dignidade. não há dignidade sem liberdade. E não há liberdade sem sermos informados sobre o que acontece. Esse é um papel que a imprensa cumpre superiormente, por ser seu dever e por garantir a liberdade de cada um de nós”. 

Rodrigo Maia, Presidente da Câmara dos Deputados foi mais um que se posicionou contra as ações de Bolsonaro e seus apoiadores: 

“Ontem enfermeiras ameaçadas. Hoje jornalistas agredidos. Amanhã qualquer um que se opõe à visão de mundo deles. Cabe às instituições democráticas impor a ordem legal a esse grupo que confunde fazer política com tocar o terror. Minha solidariedade aos jornalistas e profissionais de saúde agredidos. Que a Justiça seja célere para punir esses criminosos. No Brasil, infelizmente, lutamos contra o coronavírus e o vírus do extremismo, cujo pior efeito é ignorar a ciência e negar a realidade. O caminho será mais duro, mas a democracia e os brasileiros que querem paz vencerão”.

O presidente ainda não se manifestou sobre as agressões cometidas por seus seguidores.

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