Bolsonaro usa Secom para fazer campanha contra adiamento do Enem

Governo diz que realização da prova em meio à pandemia é uma questão de liberdade

Reprodução/Twitter


O governo de Jair Bolsonaro utilizou o perfil da Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) no Twitter para fazer campanha contra o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em meio à pandemia do coronavírus. Apesar de Bolsonaro já ter admitido que a prova poderia ser adiada, a Secom listou quatro motivos para a prova ser realizada na data prevista.

De acordo com a secretaria, a realização da prova é uma questão de liberdade e objetivo de manter as datas previstas é “ir em frente sem deixar ninguém para trás”.

A Secom argumenta que há condições para a realização da prova, pois 98,6% dos candidatos que pediram isenção de taxa de inscrição têm celular e 75% têm internet em casa. No entanto, uma parte significante dos estudantes (25%) deste grupo não teriam condições de estudar on-line, como tem defendido outras propagandas do Ministério da Educação, e poderiam ser prejudicados.

“Mais de 60% dos candidatos já concluíram o Ensino Médio e estão tentando novamente ingressar em uma universidade pública. Além disso, o adiamento do Enem vai se refletir em questões como Prouni e FIES. Em ambos os casos, quem perderá serão milhões de estudantes brasileiros”, escreveu a secretaria.

No Twitter, o professor de História do Brasil Colonial, Thiago Krause, comentou nesta terça-feira (29) sobre o conceito peculiar de “liberdade” utilizado pelo governo Bolsonaro. De acordo com ele, o que ocorre, na verdade, é um “individualismo exacerbado” e cita uma frase do sociólogo Florestan Fernandes.

“O uso que bolsonaristas fazem do conceito de liberdade me faz pensar no militar-deputado Cunha Matos, que em 1827 criticou um tratado com a Grã-Bretanha por ‘privar aos mesmos súditos brasileiros da liberdade de resgatar ou negociar em pretos escravos (…) nos portos africanos'”, escreveu.

Difícil pensar em uma síntese melhor que a de Florestan Fernandes para o Bolsoguedismo: “O liberalismo senhorial era um liberalismo que começava e terminava na liberdade do senhor”.
Confira:


https://revistaforum.com.br/brasil/bolsonaro-usa-secom-para-fazer-campanha-contra-adiamento-do-enem/

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