Assessora de Paulo Guedes comemorou morte de idosos por Covid-19

Assessora de Paulo Guedes que é chefe da Superintendência de Seguros Privados do governo federal comemorou número elevado de óbitos por coronavírus no Brasil: "A morte de idosos melhorará nosso desempenho econômico, pois reduzirá nosso déficit de pensão"

A agência internacional ‘Reuters’ publicou, nesta terça-feira (26), ampla reportagem sobre como a catástrofe administrativa desencadeada pelo governo Bolsonaro empurrou o Brasil para a maior crise humanitária de sua história.

A reportagem da ‘Reuters’ ouviu mais de duas dúzias de fontes – de dentro e de fora do governo – para produzir um extenso material que revela as entranhas de um governo de caráter aterrorizante.

Ao ser informada, em março, durante reunião com técnicos do Ministério da Saúde, de que a pandemia causaria muitas fatalidades entre os idosos do país se não fosse contida, uma assessora do ministro da Economia, Solange Vieira, expôs a estratégia de abandono da população à própria sorte: “é bom que as mortes se concentrem entre os idosos”, opinou Vieira, uma das articuladoras, em 2019, da reforma da Previdência projetada por Paulo Guedes. “Isso melhorará nosso desempenho econômico, pois reduzirá nosso déficit de pensão”.

O relato da conversa, ocorrida em meados de março, foi feito pelo epidemiologista Julio Croda, à época chefe do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis (DEIDT) do Ministério da Saúde. O relato de Croda foi confirmado por outro funcionário do ministério, que preferiu manter o anonimato na reportagem.

Solange Vieira foi nomeada por Paulo Guedes chefe da Superintendência de Seguros Privados (Susep) no mesmo mês. Segundo a agência, Vieira não respondeu à tentativa de contato da Reuters. A Susep divulgou nota informando que ela participou da reunião a convite do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para “entender” as projeções do ministério.

De acordo com a nota apresentada pela Reuters, Vieira observou os impactos de vários cenários descritos “sempre com foco na preservação de vidas”, diz o comunicado da Superintendência enviado à agência.

A suposta “estratégia” defendida pela chefe da Susep é um crime contra a humanidade e, infelizmente, encontra ecos na realidade. De acordo com dados do Ministério da Saúde, pessoas com mais de 60 anos correspondem a 69% das mortes por Covid-19, descontadas as subnotificações. Ou seja, pela fragilidade de saúde diante da ferocidade da doença, os que integram essa faixa etária necessitam mais do que nunca da proteção do Estado brasileiro.

O país tem mais hoje mais de 20 milhões de pessoas com mais de 65 anos, cerca de 10% da população. Se 70% da população contrair a doença, dentro da tese da “imunidade de rebanho” defendida por Bolsonaro, o Brasil assistirá a um verdadeiro extermínio de seus idosos.

Brasil se torna epicentro do coronavírus

O Brasil atingiu ontem 24.512 mortes pelo novo coronavírus, com 1.039 confirmações de óbitos nas últimas 24 horas. Os dados mais recentes do Ministério da Saúde apontam 391.222 diagnósticos da doença no país — 16.324 infectados foram registrados nas últimas 24 horas.

O Brasil superou, por dois dias seguidos, os Estados Unidos no registro diário de mortes por covid. Enquanto a taxa americana vai diminuindo, no Brasil ela vem aumentando.

No entanto, a devastação da população brasileira pela doença não preocupa o governo federal. Como demonstrou a fala de Solange Vieira, a tragédia parece ser uma política de estado.

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