Tecnologia do Blogger.

Featured Post

Diário do Bolso | CARTA AOS REPTILIANOS DE PLUTÃO

CARTA AOS REPTILIANOS DE PLUTÃO Caros irmãos reptliianos, estou há vários anos no planeta Terra, distante de nosso amado Plutão, ma...

APEOC

Postagens Populares

Sample Text

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation test link ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.

Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate another link velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur.

Arquivo do blog

Categories

Definition List

Definition list
Consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua.
Lorem ipsum dolor sit amet
Consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua.

Pages

Support

Need our help to upload or customize this blogger template? Contact me with details about the theme customization you need.

Ordered List

  1. Lorem ipsum dolor sit amet, consectetuer adipiscing elit.
  2. Aliquam tincidunt mauris eu risus.
  3. Vestibulum auctor dapibus neque.

Unordered List

  • Lorem ipsum dolor sit amet, consectetuer adipiscing elit.
  • Aliquam tincidunt mauris eu risus.
  • Vestibulum auctor dapibus neque.

Pesquisar este blog

Pacatuba Em Foco

Ads 468x60px

Followers

Pacatuba Em Foco - A Melhor Calçada Virtual

Cabanagem | a palavra sequestrada

De onde veio a palavra Cabano? O senso comum e os livrinhos de história que circulam pelas nossas escolas fundamentais repetem que a palavra deriva do fato de os bravos guerreiros morarem em cabanas. Não foi só isso, como explica Sérgio Buarque de Gusmão. Tratava-se de uma palavra inventada pelos adversários dos revoltosos, no sentido de desclassificá-los.

Sérgio Buarque de Gusmão é um jornalista nascido no Pará, pertence a uma geração da qual a Cabanagem foi sequestrada. É ele mesmo quem o diz logo nas primeiras páginas de seu recente livro, no qual dá a sua contribuição com o objetivo de romper com esse sequestro secular, buscando em arquivos primários o que não poucos esquecem ou o fazem corrompidos pela ideologia que deve ficar submissa à pesquisa.

Com esta palavra, Gusmão, residente há muitas décadas em São Paulo, mostra como a guerra civil da Amazônia é duramente boicotada nas aulas de história, na bibliografia e no senso comum, pela simples razão de que a derrota passageira das forças dominantes no Grão-Pará naquele início de janeiro de 1835, quando a guerra começou, tornou-se vitória dos mandões de sempre, vitória de aparência longínqua, mas que conserva seu ideário no terceiro milênio: impedir que a Cabanagem se torne conhecida dos remanescentes daqueles que, há 183 anos, deixaram o medo e a submissão de lado e partiram para a luta corpo a corpo.

Afirma Gusmão, usando a terceira pessoa, como autor, que nos estudos que fez no Pará, “nem no Ginásio Industrial Oliveira Brito, em Capanema, nem no curso Clássico do Colégio Estadual Paes de Carvalho, ouviu falar na grande insurreição regional da década de 1830. A Cabanagem foi varrida da História”. Acrescenta que “não havia em Belém um só logradouro ou monumento público a lembrar os cabanos – exceto um retrato de Eduardo Angelim pendurado no Instituto Histórico e Geográfico por ocasião da comemoração do centenário da derrota da Cabanagem, que incluiu um monumento no Largo de Santo Antônio ao general que esmagou a rebelião, Francisco de Andrea”.

Acrescenta o jornalista que “Ainda circulava um livreto escolar de Dionísio João Hage, História do Pará (Editora do Brasil, 1962), para o “terceiro ano primário”, com capítulos sobre A tragédia do Brigue Palhaço e a Cabanagem. Os livros de História do Brasil para o Ginásio e o Colegial (Borges Hermida, Joaquim Silva, Vitor Mussumeci) minimizavam a Cabanagem no conjunto das “revoltas regenciais”. Nesse período o jornalista Carlos Roque, que iria ser um historiador entusiasta do movimento, começaria a reabilitação em 1967 na sua Grande Enciclopédia da Amazônia. A obra-catedral, os Motins Políticos de Domingos Antonio Raiol, barão de Guajará, publicada em cinco volumes entre 1865 e 1890, seria reeditada em 1970 para continuar a ser, como ainda o é, o melhor trabalho sobre a insurreição”.

Diz ainda o autor de Nova história da Cabanagem que “Desde a reedição dos Motins, uma estante de livros tratou da Cabanagem. Embora a maioria dos autores bebam na caudalosa fonte de Raiol, escrevem com a tinta seca da ingratidão. A pretexto da saudável leitura crítica, a que está sujeita qualquer obra, multiplicam reparos ideológicos ao livro do barão conservador e crítico severo da insurreição”.

Resgatar a palavra e reviver seus ideais

Está fazendo 9 anos que eu e o também jornalista Celivaldo Carneiro, da Gazeta de Santarém, estivemos pela segunda vez em Cuipiranga, na baía Tapajós-Arapiuns, em frente a Alter do Chão, município de Santarém, para checar dados da reportagem que fizemos e publicamos num encarte de 28 páginas, no dia 22 de junho de 2009, mostrando o lugar onde houve a maior resistência dos cabanos após a queda de Belém, em 1836.

Foi um trabalho de fôlego, memorável e gratificante tanto pelos resultados que obtivemos como pela pouca repercussão que obteve sobretudo junto a historiadores da região. Alguns, até hoje, não mandaram a mensagem de crítica prometida. Se houve silêncio, é porque mexeu com noções erradas e longamente arraigadas no imaginário coletivo e, pior, no imaginário intelectual que se reflete nos livros, sobretudo escolares.

Ainda bem que há pesquisadores neste momento impulsionando algumas revisões da Guerra Amazônica. Assim como é com satisfação que vemos o trabalho do jornalista paraense Sérgio Gusmão, buscando explicações por via da semântica, pela pesquisa dos sentidos do nome Cabano, que prefiro escrever com maiúscula.

Para mim, como jornalista, o interesse em tocar na Cabanagem, como já fiz também na minha dissertação de mestrado que virou o livro “O Pará Dividido”, não é o mesmo do historiador. Meu desejo é que aquele rico momento amazônico seja relembrado de outra forma, que, em vez de “desordeiros”, os Cabanos sejam vistos como precursores de novas realidades, de uma sociedade inteiramente diferente daquela de há 200 anos. A velha sociedade que, no entanto, persiste, que está aí, no terceiro milênio, nos seus elementos essenciais, em que para uns são abertas todas as portas, que se fecham para a maioria dos que trabalham.

ORIGEM

De onde veio a palavra Cabano? O senso comum e os livrinhos de história que tristemente circulam pelas nossas escolas fundamentais repetem que a palavra deriva do fato de os bravos guerreiros morarem em cabanas. Não foi só isso, como explica Sérgio Buarque de Gusmão. Tratava-se de uma palavra inventada pelos adversários dos revoltosos, no sentido de desclassificá-los. Uma palavra que, ao longo da história, ganhou outros significados, negativa para os eternos inimigos do povo e positiva para aqueles que vão aos poucos descobrindo o verdadeiro significado daquela guerra.

Em artigo publicado por Elias Ribeiro Pinto, na sua coluna dominical no caderno Você, do Diário do Pará, Gusmão oferece a medida das denominações historicamente dadas a grupos subalternos, guerreiros que perderam a guerra, aos vencidos, enfim. É a velha história do discurso construído pelo vencedor, cabendo a este o poder de classificar e nomear os derrotados.

É por isso que as palavras não são inocentes. Tanto que, como relembra Gusmão no seu artigo, o Barão de Guajará, o primeiro a sistematizar o conhecimento da Cabanagem, preferir categorizar os guerreiros como desordeiros, bêbados, e coisas do gênero, tal como diz hoje a classe dominante a respeito dos pobres.

O Barão, ou Domingos Antonio Raiol diz que seu pai foi morto pelos revoltosos na vila da Vigia. Mas suas posições ideológicas independem da dor pessoal, também há alguns pontos positivos no trabalho de Raiol quando ele escreve que, ao final, no momento da brutal repressão, ele não saberia dizer quem teria sido mais cruel, se as forças militares do governo ou os Cabanos.

Com uma diferença que o Barão Raiol não cita e nem poderia citar, dada sua posição ideológica: é que a crueldade explosiva dos Cabanos teve como origem a crueldade sistêmica, estrutural da sociedade paraense do período ao redor da Independência. A mais absoluta exclusão e o mais absoluto desrespeito dos brancos contra os não brancos, ou seja, os detentores do poder simplesmente desconheciam os pobres (pobres não, os miseráveis absolutos) de então como gente, colocando a povo inteiro na categoria de animais dignos da pior repulsa. Foi essa violência estrutural que motivou a multidão à violência revolucionária.

As buscas atuais pelos fundamentos motivadores da Cabanagem serão ainda mais interessantes se não ficarem apenas restritas aos ambientes muitas vezes frios da pesquisa, mas que os resultados dessas pesquisas se espraiem no seio da juventude. E que isso faça com que a palavra Cabano deixe de ser tão somente coisa do passado, mas que esta palavra faça renascer os seus ideais, que se torne uma palavra viva, presente, atuante.

Post scriptum: Sugiro a quem desejar se informar sobre a Cabanagem uma primeira leitura do livro de PINHEIRO, Luís Balkar Sá Peixoto. Visões da Cabanagem. Manaus: Editora Valer, 2001; em seguida, do extenso trabalho de RAIOL, Domingos Antônio. Motins políticos ou história dos principais acontecimentos políticos da Província do Pará desde o ano de 1821 até 1835. Belém: UFPA, 1970, reedição; de DI PAOLO, Pasquale. Cabanagem: a revolução popular da Amazônia. Belém: Cejup, 1990, 3. ed. E o livro de Gusmão: Nova História da Cabanagem: seis teses revisam a insurreição que incendiou o Grão-Pará, 2016, 1ª. Ed. A partir destas obras, o iniciante pode prosseguir o caminho de antigas e novas buscas sobre a Cabanagem.

O trabalho de Raiol, para iniciantes, deve ser uma leitura avisada pois, embora obra essencial, é produto de uma visão do vencedor. O livro do amazonense Luís Pinheiro é uma revisão bibliográfica comentada das últimas pesquisas e publicações de revisão daquela guerra. Di Paolo dá uma visão própria ao acontecimento, em trabalho de grande valor.

←  Anterior Proxima  → Inicio

RádiosNet

COVID-19 em PACATUBA

COVID-19 em PACATUBA

Mais Acessadas

Total de Transeuntes

Votar ao Topo