Diário do Bolso | Não era amor, era cilada

Diário, eu não entendo esse homem.

Eu não fiz tudo o que ele pedia?

Não dei tudo o que ele quis?

Não cedi a cada capricho, a cada desejo?

Então por que ele fez isso comigo? Por que me tratou assim? Por que pelo menos não ligou para me avisar? Custava mandar um zap-zap?

Será que eu fiz alguma coisa errada? Disse alguma palavra que não devia? Será que mandei mensagens demais?

Às vezes, falar “eu te amo” é um erro...

Me abri demais. E ele se aproveitou.

Ah, Diário, por causa desse homem eu dei isenção de visto pros turistas americanos, renunciei ao tratamento diferenciado na Organização Mundial de Comércio, aumentei a importação de etanol dos EUA, apoiei o embargo a Cuba, e até, ai, ai, ai..., deixei que ele colocasse o seu foguete na minha Alcântara...

Tudo isso pra quê?

Ele me agradeceu? Alguma vez me disse “eu também te amo”? Não, nada disso. Nada!

O que ele fez foi sobretaxar meu aço e meu alumínio.

O que eu faço agora? Será que eu ligo para ele para reclamar?

Não, melhor não. Ele anda muito ocupado com o trabalho.

Poxa, mas eu não desvalorizei o real porque eu quis. É uma coisa que aconteceu sozinha...

Eu nunca faria algo de propósito para deixar ele bravo. Nunca...

Ah, Diário, que tristeza... Vou te confessar um negócio: tem hora que eu até penso que não era amor, era cilada.

Mas eu não quero acreditar nisso. Não quero! E não posso...

Como é que eu posso acreditar que fui enganado tanto tempo e tão bem?

Como é que eu posso acreditar que alguém em que eu pus toda a minha fé, todo o meu sentimento, me enganou?

Como?

@diariodobolso

PS: Será que é isso que os meus eleitores sentem?



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