Números preocupantes: Brasil tem 12,5 milhões de desempregados

No terceiro trimestre de 2019, a taxa de desocupação no país foi de 11,8% – contra 11,9% em igual período em 2018, segundo dados da Pnad Contínua do IBGE

Por Claudio Carneiro

O Brasil tem um contingente de 12,5 milhões de pessoas sem emprego formal. É o que revelam os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados pelo IBGE nesta terça-feira, 19. O montante equivale à soma de 3,2 milhões de pessoas em busca de emprego há mais de dois anos, mais 1,7 milhão que procuram trabalho entre um e dois anos, mais 5,8 milhões em busca de trabalho entre um mês e um ano, mais 1,8 milhão procurando emprego há menos de um mês.

Não entrou nessa matemática da desocupação o número de 4,703 milhões de desalentados – pessoas que desistiram de buscar colocação no mercado de trabalho por absoluta falta de oportunidade.

No terceiro trimestre de 2019, a taxa de desocupação no país foi de 11,8% – contra 11,9% em igual período em 2018 e 12% em abril, maio e junho deste ano. O índice permaneceu praticamente estável em 25 das 27 unidades da Federação. Em julho, agosto e setembro, Bahia (16,8%), Amapá (16,7%) e Pernambuco (15,8%) apresentaram as maiores taxas de desemprego enquanto que Santa Catarina (5,8%), Mato Grosso do Sul (7,5%) e Mato Grosso (8,0%) ficaram com os menores índices.

Quase sempre deixados de fora dos meios de produção – tanto quanto das pesquisas –, os trabalhadores em desalento não foram esquecidos do estudo trimestral do IBGE. São 2,934 milhões de pessoas na Região Nordeste e 921 mil no Sudeste que sequer saem de casa para procurar emprego. Segundo o Instituto, 3,150 milhões de desempregados buscam – sem sucesso – por trabalho há dois anos ou mais.

Mesmo neste oceano de notícias ruins, ainda foi possível fisgar um mínimo de alento. Neste trimestre – em relação a igual período no ano passado – diminuiu em 1,2% o contingente de desempregados por pelo menos dois anos.

Desemprego e desalento não escolhem sexo

Num cenário em que desemprego e desalento são as palavras de ordem, feliz mesmo de quem tem o seu salário no fim do mês. Para estes, ainda segundo a Pnad, o rendimento médio permaneceu estatisticamente estável do segundo para o terceiro trimestre deste ano em 26 dos 27 estados brasileiros. A única exceção é surpreendentemente positiva. O salário em Rondônia variou 4,8%, de R$ 1.941 para R$ 2.035 – valor que permanece abaixo da média real nacional, em torno de R$ 2.298,00. Para compor esta média, o Distrito Federal apresenta renda mensal de R$ 3.887, enquanto que o estado mais pobre do país, o Maranhão, teve rendimento salarial médio de R$ 1.333.

A mão de obra feminina não teve melhor sorte. Ainda segundo o estudo do IBGE, as mulheres responderam por 53,3% da população desempregada no terceiro trimestre. Os números frios da Pnad não tiram conclusões nem interpretam cenários. Mas basta lê-los para concluir que não está fácil pra ninguém…

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