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sábado, 30 de novembro de 2019

Doleiro dos doleiros diz que pagou mensalão a procurador que atuou no Banestado e agora está na Lava Jato em Curitiba

Por que ele (Dario Messer) nunca foi processado pelo russo (Moro) em Curitiba? Rodrigo Tacla Duran, no twitter.

O doleiro dos doleiros, Dario Messer, preso pela Operação Lava Jato por envolvimento em esquema de corrupção que envolve o ex-presidente do Paraguai, Horacio Cartes, disse em mensagens gravadas que pagava mensalão a um procurador da Lava Jato em Curitiba.

As mensagens de Messer foram enviadas à namorada dele, Myra Athaide, que também está presa.

Nelas, afirma que fazia pagamentos mensais inclusive ao procurador da República Januário Paludo, da Força Tarefa da Lava Jato em Curitiba, para não ser investigado.

As gravações foram feitas em agosto de 2018. A Polícia Federal obteve os áudios durante a operação Patrón.


Patrón é uma referência ao ex-presidente do Paraguai, Horacio Cartes, que tinha uma relação simbiótica com Messer.

Eles eram sócios em um banco que fazia lavagem internacional de dinheiro para oligarcas brasileiros e paraguaios.

Cartes fez sua fortuna no contrabando de cigarro e no narcotráfico.

Senador vitalício, ele pediu para ser investigado no Paraguai, onde pode corromper todas as instituições livremente — controla uma das maiores fortunas do país.

No Brasil, Messer lavou dinheiro para políticos e empresários.


Sua atuação como doleiro foi denunciada em A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr.

Foi figura central no caso Banestado, que acabou abafado e envolveu tucanos graúdos, como José Serra, e o ex-presidente do Banco Central e ex-ministro Henrique Meirelles.

Januário Paludo atuou no caso do Banestado, que terminou sem maiores consequências. Não interessava a ninguém ir fundo nas denúncias, nem governo Lula, muito menos oposição.

Messer também teve ou tem relações com empresários próximos de Aécio Neves e Luciano Huck, ex e possível futuro presidenciável.

Para Messer, o Paraná sempre foi território chave: o parceiro Cartes fazia negócios ilegais na região da tríplice fronteira.

Na mensagem à namorada, ele faz referência direta ao veterano Januário Paludo.

“Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês”, diz Messer no diálogo, em referência a assessores que dariam 50 mil dólares para amolecer a Polícia Federal e o MPF no Paraná, mensalmente.

A Força Tarefa da Lava Jato repudiou a denúncia. 

“Os procuradores da força-tarefa reiteram a plena confiança no trabalho do procurador Januário Paludo, pessoa com extenso rol de serviços prestados à sociedade e respeitada no Ministério Público pela seriedade, profissionalismo e experiência”, escreveram em nota.

Paludo, braço direito do chefe da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, sempre pegou duro contra o ex-presidente Lula.

Sobre a morte da ex-primeira dama Marisa, disse que “estão eliminando testemunhas”. Sobre a tentativa de Lula de ir ao velório do irmão, Vavá, afirmou que “o safado só queria viajar”.

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG), reagiu à denúncia:

“Filhos de Januário” era o nome do grupo de WhatsApp da Lava Jato. A pergunta é: quanto Januário repassava de propina a seus filhos? ⁦⁦Dallagnoll recebia mais?

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