The Big Bang Theory termina bem, mas desliza com nerds que não crescem

Quando The Big Bang Theory nasceu lá em 2007, a cultura considerada nerd era bastante diferente e a própria série reconhece isso. Os amigos pesquisadores Leonard e Sheldon, com sua trupe, são desenhados como os CDFs desajustados superinteligentes, cada um com sua inaptidão particularmente social. Se Leonard é aquele que quer flertar sem saber como, Sheldon foge pela tangente sob a máscara do desinteresse, enquanto Howard finge experiência e Raj, bem, nem consegue falar com mulheres.


Toda essa gama de estereótipos seria ainda mais alimentada com Penny, a jovem atriz em início de carreira que se muda para o apartamento da frente. Ainda com dificuldades para engatar na profissão, ela fazia bicos em um restaurante para viver. Ela ocupava ali o papel da mocinha sem intelecto, mas que entendia de relacionamentos muito mais que todos os outros personagens.

Claro que esse discurso foi caindo em desuso, com uma fórmula que poderia muito bem levar The Big Bang Theory ao ostracismo não fosse uma boa mudança de rumo. Foi assim que a série passou a integrar Penny ao mundo altamente complexo daqueles doutores e eles deixaram de ser tão inaptos socialmente.

Toda essa mudança é o mote essencial dos 12 anos de série, a linha narrativa que se inicia em 2007, quando Sheldon se apavora ao saber que havia uma menina nova no pedaço e que ela viria para ficar.

The Big Bang Theory não só mudou a si mesma, bem como colaborou para que um universo novo relacionado aos termos “geek” ou “nerd” tivesse um significado novo. Esta produção fez no ramo das séries o que Senhor dos Anéis, Harry Potter, e até o Universo Cinematográfico da Marvel fizeram no cinema. De repente, ser o nerd deixou de ser inaptidão e passou a significar escolha.

É nesta toada que o barco de Big Bang Theory chega ao seu último episódio. Leonard e sua trupe estão (quase) todos casados, muito bem acompanhados e até com filhos. A inaptidão social perde contornos românticos e ganham pinceladas do prosaico: afinal, quem nunca esteve sem saber o que fazer em uma situação constrangedora?

Junto disso, as mulheres da série também deixam de ser minimizadas e ganham sua força, sobretudo intelectual. Amy é tão ou mais inteligente que Sheldon. A Bernadette tem Howard nas mãos. Já Penny, se não passa a ter os conhecimentos daquele grupo, ao menos é integrada a eles, sem ser renegada ao papel de orelha para as explicações dos demais.

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