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80 TIROS EM UMA FAMÍLIA NEGRA: DE QUEM É A RESPONSABILIDADE?

Desde o início, por ouro e prata / Olha quem morre, então, veja você quem mata / Recebe o mérito, a farda que pratica o mal / Me ver pobre preso ou morto já é cultural
Racionais
O presidente Jair Bolsonaro defende o exército na rua e diz que policial que não atira em ninguém não é policial.
O ministro Sergio Moro defende lei que considera policiais que matam “por equívoco” perdoáveis, afinal, trabalham sob pressão e agem acometidos de forte emoção.
O judiciário, em especial o Ministério Público, não age ante a eficácia da polícia que, com trabalho de inteligência, apreende 117 fuzis novos e importados num bairro nobre – a maior apreensão da história e sem um único tiro, ao mesmo tempo em que “fracassam” no combate ao crime enquanto entram, prendem, arrebentam e matam praticamente todos os dias, em bairros pobres e favelas. Não se mete, não incide.
Caberia uma pergunta singela, daquelas que precisam viralizar em redes sociais e virar o grande tema de debate nacional:
QUEM MANDOU MATAR EVALDO?

Sim, foram oficiais do exército que dispararam 80 TIROS. 80 TIROS!!! E mataram Evaldo dos Santos Rosa, homem negro de 51 anos, que trabalhava como músico e segurança. Ele ia de carro com a família, acompanhado do filho de 7 anos, a mulher e uma amiga, para um chá de bebê, na comunidade de Guadalupe, zona norte do Rio de Janeiro. E devem ser punidos. Mas não seria necessário também falar sobre a importância da autorização, do estímulo e até as ordens para matar, proferidas por seus superiores? Eles também tem responsabilidade sobre a ação de seus comandados.
 Evaldo dos Santos Rosa, morto no fuzilamento promovido pelo exército contra uma família negra brasileira
Ouviremos as justificativas de sempre: “Caso isolado”, dirão eles, individualizando a culpa na figura dos recrutas, o lado mais fraco da corda. Talvez fiquem presos por um tempo, até que a tragédia caia no absoluto esquecimento. E tudo continuará como sempre, pelas mãos de outros oficiais sob as mesmas ordens, mortes todos os dias, quem sabe com menos barulho, melhor pontaria e menos gasto de munição. E seguirá a marcha fúnebre, o genocídio negro, permanente, continuado.
Óbvio que políticas de segurança que fazem do povo negro e pobre suas vítimas, humilhadas, presas e mortas não são exclusividade dos atuais governos estaduais e do governo federal. Trata-se de uma carnificina instalada há décadas, por muitos governos. Importante dizer que a banalização dos discursos de ódio fez a situação, que já era ruim, piorar. E é preciso apontar: São responsáveis pelo assassinato de Evaldo e tentativa de assassinato de sua família, amigos e outros afetados, o presidente Bolsonaro, o ministro Moro, a maior parte do Congresso Nacional, o governador do Rio, Witzel, o comando do exército, a grande mídia que apoia essa política genocida de segurança pública e parte considerável da sociedade que sustenta esse governo. São, todos estes, em alguma medida, responsáveis, logo, assassinos também. E o estado, genocida. E devem ser responsabilizados.
Em fevereiro, organizações do Movimento Negro denunciaram Sergio Moro e sua proposta de segurança pública à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão ligado à OEA. Depois disso, há duas semanas, uma comitiva de representantes do movimento negro foi recebida pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, onde apresentaram, entre outras, preocupações com as propostas do Ministro Moro que, segundo estes grupos, aprofundarão o genocídio negro. O Movimento Negro deverá levar para além do Brasil, a denúncia de mais esta amostra inconteste do genocídio negro brasileiro.
Minha fraternal solidariedade à família.

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