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NESTA DATA - Nasce Rosa Parks, ícone dos direitos civis americanos

Em 4 de fevereiro de 1913, nasce Rosa Parks, ativista que se recusou a dar o lugar para um branco no ônibus, dando início ao movimento dos direitos civis nos EUA


Rosa Louise McCauley foi uma costureira considerada mãe da luta pelos direitos civis americanos por ter desencadeado um boicote contra a segregação racial nos transportes públicos.

Filha do carpinteiro James McCauley e da professora Leona McCauley, Rosa nasceu em Tuskegee, Alabama, em 4 de fevereiro de 1913. Aos dois anos de idade, ela se mudou com a mãe e seu irmão mais novo, Sylvester, para a casa dos avós em Pine Level, também no estado do Alabama. Aos 11 anos, Rosa entrou para a Escola Industrial para Meninas de Montgomery, uma instituição privada fundada por mulheres de ideais liberais do norte dos EUA. A metodologia de ensino da escola, voltada à valorização da autoestima, se encaixava nos ensinamentos dados à Rosa por sua mãe, que sempre dizia “Aproveite as oportunidades, não importa o quão escassas sejam”.

E as oportunidades, de fato, eram raras. “Na época, não tínhamos nenhum direito civil. Era apenas uma questão de sobreviver de um dia para outro. Eu me lembro de ir dormir quando criança escutando o Ku Klux Klan passar durante a noite, escutando linchamentos e temendo que nossa casa fosse incendiada”, disse Rosa, certa vez, em uma entrevista.

Em 1932, Rosa casou-se com Raymond Parks um barbeiro integrante da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), da qual Rosa se tornou ativista. Após cursar a Faculdade Estadual de Pedagogia do Alabama, Rosa e Raymond foram morar na cidade de Montgomery.

Devido a problemas de saúde em sua família, Rosa passou a trabalhar como costureira. Em 1943, Rosa foi entrar em um ônibus quando retornava do trabalho. Porém, o motorista James F. Blake a retirou do veículo e ordenou que ela esperasse os brancos embarcarem primeiro. Quando todos entraram, ele arrancou com o ônibus antes que Rosa pudesse embarcar. Nesse dia, ela prometeu jamais pegar o ônibus daquele motorista novamente.

Assim foi até 1 de dezembro de 1955, quando, voltando do trabalho, Rosa entrou no ônibus sem perceber que Blake dirigia o carro. Após notar a presença de Blake, ela decidiu pagar sua passagem e continuar a viagem. Na época, os assentos dos ônibus de Montgomery eram divididos da seguinte forma: os dez assentos das primeiras fileiras eram reservados para brancos; os dez assentos das fileiras finais para negros. No meio do ônibus, havia 16 outros assentos destinados a quem chegasse primeiro. Foi na primeira fileira desses assentos que Rosa sentou, junto com três outros negros.

Na terceira parada após o embarque de Rosa, em frente ao Empire Theater, embarcaram vários brancos no ônibus. A essa altura, todos os assentos reservados para brancos e negros já estavam tomados e a fileira do meio se encheu rapidamente, deixando três brancos em pé. Ao perceber isso, Blake saiu de seu assento e foi ordenar aos negros da primeira fileira dos assentos avulsos que sem levantassem e fossem para a parte de trás (onde teriam seguir viagem em pé), para dar lugar aos brancos. Três negros obedeceram à ordem, ainda que relutantes. Rosa, no entanto, permaneceu sentada. Questionada por Blake se não iria se levantar, Rosa apenas passou para o assento da janela deixando o do corredor livre para o homem branco que restava de pé sentar. Blake, então questionou, “Por que não se levanta”, no que Rosa respondeu “Eu acho que não deveria ter que me levantar”.

O motorista desceu e retornou com um policial. Rosa tentou argumentar que havia pagado sua passagem, embarcado antes do outro homem e que não estava sentada no assento reservado para os brancos. De nada adiantou. Então, ela perguntou ao policial “Por que vocês fazem isso com a gente?”, no que ele respondeu “Eu não sei, mas é a lei e você está presa”.

O incidente levou à criação da Associação de Aprimoramento de Montgomery, liderada pelo então jovem pastor Martin Luther King Jr. A associação organizou um boicote aos ônibus por parte dos negros. Muitos passaram a caminhar longas distâncias sem tomar o transporte. A própria Rosa participou do boicote, apesar das dores que sentia por uma bursite.

O boicote durou 381 dias e ganhou notoriedade internacional. Além disso, ele afetou severamente as receitas da companhia rodoviária da cidade, já que os negros compunham grande parte da massa trabalhadora. Em 1956, a Suprema Corte americana ordenou o fim da segregação racial nos transportes públicos.

Foi então que Rosa se tornou um ícone do movimento dos direitos civis americanos. Porém, isso acabou colocando-a em perigo, pois ela se tornou alvo de grupos como o próprio KKK e passou a receber ameaças de brancos da cidade. Também ficou mais difícil para ela conseguir um emprego. Assustada ela se mudou com o marido para Hampton, na Virgínia, e, depois, para Detroit, no Michigan, onde passou a trabalhar no escritório do deputado John Conyers. Em 1977, após a morte do marido, Rosa seguiu com sua luta pelos direitos civis, participando e fundando várias iniciativas.

Em 1992, ela lançou sua biografia Rosa Parks: My Story. Em 2002, afetada por problemas financeiros e de saúde, ela acabou sendo despejada do prédio onde morava por falta de pagamento do aluguel. Ela foi ajudada pela igreja batista Hartford Memorial e seu caso ganhou os noticiários, gerando forte comoção nacional. Diante disso, o condomínio decidiu perdoar a dívida de Rosa e autorizou ela a morar de graça no apartamento até o fim da vida. Rosa morreu de causas naturais, em 24 de outubro de 2005.

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