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Como Chico gozou dos militares em plena ditadura



O Chico Buarque que volta aos palcos cariocas para, a partir de hoje dar sequência a uma turnê na qual apresenta músicas de seu último disco e outras já consagradas, não é só um gigante da arte brasileira. Nele coexistem o magistral letrista, o inspirado melodista, o cantor original, o escritor surpreendente - e um tremendo gozador.

Se não, como explicar que, em plena ditadura militar, ele tenha composto canções que zombavam do regime de uma maneira tão inteligente que os censores nem percebiam a sua intenção?

É o caso de "Apesar de Você", lançada em 1970 e só proibida no ano seguinte, apenas porque os vigilantes da moral e bons costumes foram alertados sobre a sua mensagem "subversiva" depois que o jornalista Sebastião Nery, numa entrevista, afirmou que seu filho e amigos a cantavam como se fosse o hino nacional.

Perguntado, num interrogatório, sobre quem era o "você" da letra, Chico nem pestanejou em responder: "É uma mulher muito mandona, muito autoritária."

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu

Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Eu pergunto a você
Onde vai se esconder
Da enorme euforia
Como vai proibir
Quando o galo insistir
Em cantar
Água nova brotando
E a gente se amando
Sem parar
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros, juro
Todo esse amor reprimido
Esse grito contido
Este samba no escuro
Você que inventou a tristeza
Ora, tenha a fineza
De desinventar
Você vai pagar e é dobrado
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Inda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
Que esse dia há de vir
Antes do que você pensa
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear
De repente, impunemente
Como vai abafar
Nosso coro a cantar
Na sua frente
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
Você vai se dar mal
Etc e tal
Lá lá lá lá laiá


Depois de "Apesar de Você" a censura ficou mais vigilante em relação a Chico Buarque. O jeito que o poeta encontrou para que suas músicas fossem aprovadas foi atribuir a paternidade delas a outros compositores.

Assim nasceu a dupla Julinho de Adelaide e Leonel Paiva, "autora" de "Jorge Maravilha", sucesso em 1973, que só foi liberada porque Chico inseriu a letra entre versos que ficaram de fora da gravação. 

O Brasil inteiro cantou a música e todos, menos os censores, pensavam que ela era uma tremenda gozação ao ditador de plantão, o general Ernesto Geisel, embora Chico negasse isso: "Aconteceu de eu ser detido por agentes de segurança, e no elevador o cara pedir autógrafo para a filha dele. Claro que não era o delegado, mas aquele contínuo de delegado", disse em uma entrevista. 

E nada como um tempo após um contratempo
Pro meu coração
E não vale a pena ficar, apenas ficar
Chorando, resmungando, até quando, não, não, não
E como já dizia Jorge Maravilha
Prenhe de razão
Mais vale uma filha na mão
Do que dois pais voando

Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
Ela gosta do tango, do dengo
Do mengo, domingos e de costa
Ela pega e me pisca, belisca, petisca
Me arrisca e me enrosca
Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
E nada como um dia após o outro dia
Pro meu coração
E não vale a pena ficar, apenas ficar
Chorando, resmungando até quando, não, não, não
E como já dizia Jorge Maravilha
Prenhe de razão
Mais vale uma filha na mão do que dois pais sobrevoando


O Brasil de hoje é um campo fértil para que os artistas liberem toda a sua criatividade. Pena que haja tão poucos com a capacidade que um Chico Buarque tinha de transformar a vida miserável que a ditadura proporcionava aos brasileiros em obras de arte imortais.


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