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Tema da redação do Enem expõe a ausência de políticas de inclusão no país

Educadores e pessoas com deficiência analisam repercussão da prova

Por Rebeca Letieri

“Isso revela, justamente, o quanto nós ainda precisamos conversar sobre questões relacionadas a direitos e respeito às pessoas com deficiência”, disse a professora Edicleia Mascar, também coordenadora do Núcleo de Educação Especial e Inclusiva da Uerj e professora do Mestrado em Diversidade e Inclusão da UFF. Ela está falando sobre o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, realizado no último domingo (5): “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”.

O tema levantou o debate sobre diversidade e inclusão, e causou espanto não só nos alunos que realizaram a prova, mas em professores que admitiram falta de preparo.

“Se nem nós, professores, somos preparados para lidar e refletir com a temática da educação inclusiva, imagino o quão difícil deve ter sido para os candidatos dissertar sobre um tema tão específico que é a formação educacional dos surdos”, escreveu o professor da Escola Estadual Luiz Barreto, do Rio Grande do Sul Lucas Freitas, em sua página no Facebook.

"Infelizmente não fomos e não somos preparados. Eu já tive um aluno com Síndrome de Down. Era um querido, mas eu não sabia como ensiná-lo. Sinto que não fiz o bastante. Não basta ler sobre o assunto, precisamos de mais. Que os estudiosos da educação nos ajudem a melhorar nisso", escreveu a professora da Escola Estadual Francisco Whitacker, em Anhumas, São Paulo, Angela Maria Messias, em sua página no Facebook.


Para a fundadora do Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da UFF, atual Divisão de Acessibilidade e Inclusão, Sensibiliza UFF, Lucília Machado, que também é jornalista e cadeirante, abordar temas como esse em uma prova que atinge quase 7 milhões de brasileiros é uma vitória para aqueles que lutam por diversidade e inclusão.

“O MEC forçou um debate sobre um tema que nunca foi tocado. Ele vai ser levado para as salas de aula. Hoje é o assunto em todo lugar, em todas as casas de família, escolas e universidades. A mudança que os ativistas da inclusão tanto queriam começou, porque hoje está na boca dos brasileiros”, disse.

A professora de Física no Cefet/RJ, que também é vencedora do Prêmio Saraiva Literatura e deficiente auditiva, Elika Takimoto, agradeceu a abordagem do tema e reforçou a exclusão sofrida por pessoas com deficiência, principalmente surdas, e a necessidade de incluir debates como esses na sociedade como todo.

“Eu não falaria da formação educacional do surdo e sim da sociedade, porque é ela que precisa ser mais bem educada. O resto vem por tabela. Aprendemos inglês desde os quatro anos, mas Libras nunca nos ensinaram”, disse.

A prova

O Enem vem, nos últimos anos, apontando para temas ligados a questões sociais e, sobretudo, para discutir grupos que são totalmente excluídos da sociedade, inclusive do sistema de ensino. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame, procura a cada ano se especializar na oferta de recursos para que pessoas com deficiência possam fazer a prova.

Para o professor Rafael Dias Silva, que se dedica ao projeto Libras na Ciência, as reações negativas sobre a prova de redação do Enem refletem a invisibilidade da comunidade surda, mais ainda a insensilibilidade de quem achou o tema difícil e questionou a validade de abordá-lo no Exame.

“Os alunos do ensino médio público e privado vivenciam isso no lado bom e ruim. Bom quando as escolas elaboram estratégias educacionais de maneira plena, e ruim quando eles são invisíveis. Quem vai ter dificuldade é quem nunca teve contato com pessoas com deficiência, e nós sabemos que existem escolas que não trabalham com esse aluno”, disse o pesquisador e especialista em Educação de Surdos, acrescentando: “Mais uma vez isso pode ser visto como algo positivo, porque direciona a discussão para haver mais inclusão desses alunos nas escolas. As leis existem, falta colocar em prática”.

Neste ano, pela primeira vez, o Enem foi disponibilizado com o recurso da videoprova traduzida em Libras. O Inep também oferece recursos como prova em Braille, tradutor-intérprete de Libras, prova superampliada, guia-intérprete para pessoa com surdocegueira, leitura labial e mobiliário acessível. Ainda assim, todo ano surgem novos relatos de problemas no acesso ao exame. Rafael Dias disse que muitos de seus alunos elogiaram o novo modelo de videoprova, e que ajustes são sempre necessários, “mas é um começo maravilhoso”.

“A gente trabalha muito ainda com a necessidade do próprio sistema se aperfeiçoar. Os recursos não bastam apenas para fazer a prova, eles têm que estar disponíveis ao longo do processo de ensino”, acrescentou Edicleia Mascar.

Lei e inclusão

Mesmo com a Lei de Libras, de 2005, que classificou esse idioma como língua oficial da comunidade surda, ainda existe uma defasagem majoritária na oferta do ensino em escolas. Não existem intérpretes suficientes disponíveis no ambiente acadêmico, embora os concursos públicos tenham orientado para essa função. Não existem, nos hospitais ou postos de saúde, profissionais aptos para receber essa comunidade, que é estimada em quase 10 milhões de pessoas em todo o Brasil. Há quem ainda acredite que Libras não é língua, é mímica. Além dos diversos projetos de lei engavetados, que abordam, justamente, a questão do ensino desde as primeiras etapas do fundamental.

“É uma exclusão social. É como se o surdo fosse um estrangeiro dentro da própria pátria. É um bloqueio atitudinal discutir sobre um tema que não faz parte ainda da agenda humana das pessoas. Por isso essa exclamação e interrogação em torno do assunto. Nós não temos uma sociedade onde as pessoas surdas sejam incorporadas”, finalizou a professora da Uerj Edicleia.

“Não se trata somente de inclusão social, e sim uma educação do espírito. Nada pode ser privilégio de uma parcela da população se sonhamos e lutamos por um mundo mais justo. O que me leva a crer que a deficiência maior não está em quem não escuta, não vê, não anda ou não consegue falar, mas sim naqueles que não enxergam a falta de acessibilidade e, ainda que a percebam, tendo cordas vocais em perfeito estado, fiquem mudos diante dela. O pior manco é aquele que, sabendo andar, tropeça sempre em sua própria inércia”, completou Elika. 

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