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Morre aos 91 anos o sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman


Polonês ficou conhecido pelo conceito da "modernidade líquida", aplicado para analisar relações afetivas, econômicas e políticas

O sociólogo e filósofo polonês Zygmunt Bauman morreu nesta segunda-feira 9, aos 91 anos, em Leeds, na Inglaterra, cidade onde vivia desde a década de 70. A informação foi divulgada pelo jornal polonês Gazeta Wyborzca. A causa da morte não foi revelada.

Conhecido pelo conceito de "modernidade líquida", Bauman era um escritor prolífico, autor de dezenas de livros com reflexões sobre temas diversos como a pós-modernidade, as relações humanas, o consumismo, as mídias sociais e o amor.

Ele nasceu em 19 de novembro de 1925, em Poznan, na Polônia, em uma família judia. Quando o país foi invadido pelas tropas nazistas, em 1939, sua família fugiu para a União Soviética. Ele acabou servindo em uma unidade militar polonesa controlada pelos soviéticos, tomando parte em batalhas como a conquista de Berlim em 1945.

Nos anos 50, passou a estudar sociologia no país natal. Abandonou a Polônia no final dos anos 60, para escapar da perseguição política aos críticos do regime comunista e ao crescente antissemitismo no meio acadêmico polonês. Após uma estada em Israel, acabou se mudando para Leeds, na Inglaterra, onde passou a trabalhar na universidade local.

Lá desenvolveu a teoria da chamada "modernidade líquida", que foi aplicada para analisar relações afetivas, econômicas e políticas. Para Bauman, as relações humanas passaram a ser marcadas por uma crescente efemeridade, e a maior parte dos acordos e trocas na sociedade são cada vez menos duradouros.

O tema foi explorado em diversos livros do autor. No Brasil, suas obras foram publicadas pela Zahar, que tem 38 títulos de Bauman no catálogo, entre eles Vida para consumo, Tempos líquidos, Modernidade líquida, O mal-estar da pós-modernidade e Amor líquido.

Permaneceu trabalhando até o fim da vida. Sua última obra publicada no país é Estranhos à nossa porta, que deve chegar às livrarias ainda em janeiro. O livro aborda a ansiedade nas sociedades modernas provocada por ondas de refugiados. Bauman era casado com Janine Lewinson-Bauman. Ele deixa três filhas.

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