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Para conhecer a história de um presidente que morreu no exílio

João Vicente Goulart, filho do Presidente constitucional, João Goulart, deposto por um golpe empresarial militar, em abril de 1964, com o apoio ostensivo do Departamento de Estado norte-americano, recém lançou o livro Jango e eu – memórias de um exílio sem volta, pela Editora Civilização Brasileira.

É uma leitura recomendada a todos os brasileiros que queiram conhecer um período da história sem rodeios e a personalidade do presidente deposto, que acabou morrendo no exílio, sem poder retornar a pátria que tanto amava e que desde jovem dedicou-se de corpo e alma na defesa dos valores nacionais e do povo trabalhador. Acabou deposto por suas qualidades.

Jango e eu é o tipo do livro que se lê numa tacada só. Em linguagem cativante e acessível a todos os tipos de leitores, João Vicente Goulart conta em detalhes passagens do longo exílio vivido por seu pai, mãe, irmã e ele, desde o momento em que uma parte da família saiu às pressas da Granja do Torto, onde residiam Jango, Maria Teresa Goulart, a irmã de João Vicente, Denise, até Porto Alegre, São Borja e finalmente Montevidéu.

Passagens importantes não só no Uruguai, como também na Argentina, lembram a história recente dos dois países que atravessaram ditaduras que tiveram o apoio do governo de fato do Brasil. João Vicente conta com detalhes fatos que levaram a família Goulart a ter de deixa o Uruguai e se instalar na Argentina, que atravessava momento de abertura como o retorno de Juan Domingo Perón. Mas a abertura não se efetivou, muito pelo contrário. 

Aos sete anos de idade, o autor do livro foi informado por sua mãe que estava chegando a um país de cor azul e lá em seguida reencontraria o pai, que esperava em pouco tempo retornar ao Brasil, o que nunca aconteceu porque a conjuntura política nacional, sob controle de setores subservientes a interesses econômicos estrangeiros, não permitiam.

Jango e eu - memórias de um exílio sem volta conta em detalhes as agruras do exílio de brasileiros que foram impedidos de seguir vivendo no país pelo fato de defenderem posições opostas aos que tomaram o poder pela força das armas com o apoio empresarial e externo, como comprovam os arquivos, já tornados públicos, do Departamento de Estado norte-americano.

O livro, que não é um trabalho acadêmico, como faz questão de comentar o próprio autor, tem também o mérito de fazer com que os leitores sejam informados sobre fatos escondidos da história pela mídia comercial conservadora e concluam que Jango Goulart foi um político injustiçado que procurou colocar em prática reformas de base, entre as quais a agrária, que se fossem mesmo realizadas, fariam o Brasil ingressar no Terceiro Milênio sendo um país mais justo e com menos desigualdade social.

Uma reforma agrária, vale assinalar, considerada por João Pedro Stedile, da coordenação nacional do MST, como o projeto mais avançado até hoje apresentado no Brasil.

Em suma, em um momento de retrocesso que o Brasil atravessa o livro Jango e eu- memórias de um exilado sem volta tem ainda o mérito de alertar os brasileiros sobre o perigo que representa as ideias defendidas por governos golpistas, portanto ilegítimos e usurpadores, como foram os dos generais de plantão e o atual que está levando o país a um retrocesso sem tamanho.

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