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A dura vida e a obra genial do escritor Lima Barreto, o próximo homenageado da Flip


Negro, pobre, marginalizado, alcoólatra, interno de hospícios – e um gênio. Um dos mais importantes escritores da história do Brasil, o carioca Afonso Henriques de Lima Barreto, ou simplesmente Lima Barreto, autor de Triste Fim de Policarpo Quaresma e O Homem que Sabia Javanês, entre muitos outros, será o próximo homenageado da Flip, a Festa Literária de Paraty, no ano que vem.

Trata-se de uma tardia porém justíssima homenagem, não só pela imensurável qualidade e influência da obra do autor, como também em resposta às constantes e fundamentais críticas diante da ausência de escritores negros na mais importante festa literária do país. Lima Barreto foi escritor, jornalista e um grande cronista, publicando boa parte de sua obra em periódicos, revistas populares, jornais e publicações anarquistas do início do século XX.

O mais ferrenho crítico da Primeira República brasileira, Lima Barreto expunha ao ridículo o ufanismo nacionalista e a falsa renovação da fundação da república que, no entanto, mantinha os privilégios da aristocracia brasileira, a segregação social e o racismo no país. Testemunha ocular desse período de transformações radicais no Brasil – que inclui a abolição da escravatura e a proclamação da República – Lima foi o crítico perfeito das contradições profundas que então se revelavam e que até hoje nos significam enquanto nação.

Sobre a abolição ele escreveu: “Julgava que podíamos fazer tudo que quiséssemos; que dali em diante não havia mais limitação aos propósitos da nossa fantasia. Parece que essa convicção era geral na meninada, porquanto um colega meu, depois de um castigo, me disse: ‘Vou dizer a papai que não quero voltar mais ao colégio. Não somos todos livres?’ Mas como ainda estamos longe de ser livres! Como ainda nos enleamos nas teias dos preceitos, das regras e das leis!”

Salvo as especificidades da época, a temática de Lima Barreto permanece, dessa forma, absolutamente atual. Se valendo de um estilo coloquial, ágil e preciosamente moderno, o autor acreditava que a literatura poderia sim transformar a sociedade. Assim, era através da crítica social e da inclemência satírica de suas obras que Lima Barreto dava voz aos pobres, os boêmios, os excluídos, os marginalizados – revelando pelo desnudamento do deboche a corrupção e os valores esvaziados (e atemporais) de nossas elites, em especial o preconceito racial.

Nem mesmo a literatura escapava de seu olhar feroz. “Eu não sou literato, detesto com toda paixão essa espécie de animal”, ele dizia. A própria Flip seria um prato cheio para a pena afiada do escritor.

Visto que a última homenageada da Festa, em 2016, foi a poeta carioca Ana Cristina César, tal indicação abriu espaço para o justo debate ao redor da representatividade das minorias dentro do palco mais visível da literatura nacional. O número de mulheres participando da Flip aumentou consideravelmente – e a própria homenagem à Ana Cristina sinaliza tal gesto – mas certas incongruências permaneceram, como a mesa de abertura do evento em tributo a uma poeta mulher (e especialmente representativa do imaginário feminino, como ela foi e é) ser composta somente por homens.

O debate se intensificou quando a ausência de escritores e principalmente escritoras negras foi apontada. A falta de diversidade da festa espelha a própria dinâmica do mercado editorial brasileiro, e é aí que a questão se mostra mais relevante e grave: o espaço dentro das editoras, para que escritoras e escritores negros possam simplesmente publicar seus livros e, com isso, existirem enquanto escritores, é igualmente reduzido ou quase nulo – e a Flip muitas vezes funciona como um reflexo disso. A homenagem, portanto, a Lima Barreto, surge em boa hora.

Curiosamente o escritor nasceu exatamente em um 13 de maio, dia da abolição da escravatura, mas em 1881, sete anos antes da assinatura da Lei Áurea. “Nasci mulato, pobre e livre”, ele dizia sobre si. Para muito além, porém, dos debates, dinâmicas, polêmicas, virtudes e vícios da Festa Literária de Paraty, Lima Barreto merece tais homenagens pela força de sua literatura – que, ainda que não seja justificada por isso, está diretamente ligada à cor de sua pele e os desdobramentos que ser um artista negro no Brasil da virada do século XIX para o século XX implicavam.

Lima cresceu, portanto, como negro em um país que havia acabado de abolir a escravidão mas não o racismo, e sobre a nova república (ele tinha 8 anos quando da sua proclamação) ele não economizou a pena. “Não será, pensei de mim para mim, que a República é o regime da fachada, da ostentação, do falso brilho e luxo de parvenu, tendo como repoussoir a miséria geral?”, escreveu em uma crônica.

Tanto sua mãe quanto seu pai eram filhos de escravos, e seu pai, tipógrafo e monarquista, era ligado ao Visconde de Ouro Preto, que viria a se tornar padrinho de Lima Barreto. Assim, apesar de sua origem pobre e do contexto contrário, por força financeira e de influência de seu padrinho Lima conseguiu estudar e alcançar boa instrução. Em 1895 ingressou no conceituado colégio Pedro II, estudando ao lado da mais elevada elite econômica carioca. Logo em seguida começaria a colaborar com jornais e publicações.

Durante a Faculdade de Engenharia, porém, seu pai acabou internado, vítima da loucura, e Lima Barreto teve de abandonar o curso, para trabalhar e arcar com as despesas do tratamento e da casa. Apesar de colaborar como jornalista e escritor com as principais revistas da época, como a revista Careta e Fon-Fon, o que passou a lhe sustentar foi o emprego que conseguiu como escrevente na Secretaria de Guerra.

O olhar crítico que marca sua literatura é traçado também pelo Rio de Janeiro em que viveu, e as mudanças urbanas pelas quais a cidade passava – principalmente, sobre como a própria cidade e suas mudanças modulavam também as injustiças sociais e o preconceito de então. Sua obra, portanto, discute não só o estilo que Lima fundou e defendeu, como também grandes temas, como o encontro entre literatura e política, literatura e loucura, a cidade e o efeito da cidade sobre seus moradores.

Segundo a organização da Flip, “a edição resgatará a trajetória de um homem que estabeleceu-se como escritor no Rio de Janeiro, capital da Primeira República e da cultura literária do país. Em um meio marcado pela divisão de classes e pela influência das belas letras europeias, era difícil para um autor brasileiro com as suas origens afirmar seu valor”. A expectativa, portanto, é que o evento assim contemple também autores representativos das minorias e ofereça esse nobre espaço para ecoar tais vozes.

Pois, apesar da luta de uma vida para ser reconhecido no meio literário – e do enorme talento que justificaria tal reconhecimento em qualquer época ou país – Lima teve uma vida dura, longe dos holofotes do sucesso.“Os preponderantes e influentes têm todo o interesse em não fazer subir os inteligentes, os ilustrados, os que entendem de qualquer cousa; e tratam logo de colocar em destaque um medíocre razoável que tenham mais ambição de subsídios do que mesmo a vaidade do poder”, escreveu, falando sobre o Brasil como se também falasse sobre si.

Depois de uma vida de intenso alcoolismo, que o levou a diversas internações em hospícios, o escritor morreu aos 41 anos, em novembro de 1922, em decorrência de um colapso cardíaco. Curiosamente, sua morte se deu somente nove meses após a Semana de Arte Moderna de São Paulo, evento fundador do Modernismo no Brasil, movimento que simplesmente não seria possível sem o trabalho prévio de um desbravador literário corajoso, estiloso, inclemente e genial como Lima Barreto.

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