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Professor com nível superior ganha a metade do que outros graduados

Maioria dos estados paga menos do que o piso nacional. 
Professores ganham menos de R$ 20 por hora de trabalho.


Uma pesquisa mostrou que professores com formação universitária ganham pouco mais da metade do que ganhariam outros profissionais com a mesma qualificação e a situação é ainda pior na educação básica da rede pública. A maioria dos estados paga menos do que o piso nacional. Em média, o professor ganha menos de R$ 20 por hora de trabalho.

São profissionais, os professores, que escolheram a sala de aula por vocação, paixão pelo ensino, investiram na carreira, fizeram mestrado, até doutorado. Dedicaram a vida para os estudos e para os alunos e em troca recebem em média R$ 19 por hora de trabalho.

Uma faculdade, um mestrado, 25 anos de sala de aula, e a dura realidade: “Quando chega na metade do mês, o salário não dá para honrar o resto dos compromissos”.

Júlio é professor de História. O Pedro, de Biologia.

“Tenho outro emprego, trabalho na Universidade de Brasília também, e é corrido. Eu saio de um trabalho, janto mal, tenho que vir correndo para escola, é bastante correria. A gente já chega aqui muito cansado e chega em casa a gente só pensa em cair na cama”, contou o professor Pedro Ivo Pelicano.

E quando se compara com outras categorias então, fica ainda mais desanimador. O salário médio do professor no Brasil que terminou a faculdade equivale a 54,5% do que recebem outros profissionais também com curso superior.

Em valores: o professor ganha R$ 3.137,90. Outros profissionais, R$ 5.762,40.

A cada hora de trabalho, o ganho do professor é de R$ 19. Nas outras profissões, em média, R$ 36.

Ser professor não atrai mais. E não era assim há 25 anos.

“Entrei em julho de 91 e quando consultava meus estudantes quem queria ser professor, 90% da turma levantava o braço. E hoje, lastimavelmente, é o inverso”, disse o professor Julio Barros.

Para o movimento todos pela educação, que fez a pesquisa, o salário pesa, em todos os sentidos.

“Se a gente não consegue selecionar os melhores, acaba que a qualidade do ensino também cai. Então, o salário do professor é muito relacionado à qualidade do ensino, na medida que um bom salário vai selecionar bons profissionais e esses bons profissionais vão fazer com que o ensino melhore”, avaliou a presidente-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz.

A pesquisa considerou quanto as pessoas disseram ao IBGE que ganharam em 2014. Não levou em conta especificamente o piso salarial do professor – que seria uma garantia de melhoria, mesmo que pequena. E é seria porque 63% dos estados não cumprem.

“O Ministério da Educação define o reajuste sem consultar estados e municípios. Só que quem paga a conta são os estados e municípios; não é o governo federal. Então, é uma situação difícil. Além disso, quando foi criado o Piso Salarial Nacional, o governo federal enviou um projeto de lei ao Congresso Nacional definindo que estados e municípios que não pudessem cumprir a lei do piso, eles teriam um aporte de recursos do governo federal. Mas essa lei nunca foi regulamentada”, disse a secretária-executiva Ministério da Educação, Maria Helena Castro.

Mas para quem está lá na sala de aula, não é só salário que conta, tem que ter boas condições de trabalho, material, segurança. Enquanto nada disso vem, só mesmo contando com um outro tipo de estímulo.

“Gosto muito de estar na sala de aula, eu gosto de ver que meus alunos estão se desenvolvendo, aprendendo alguma coisa comigo”, disse o professor Pedro Ivo Pelicano.

E pergunta se eles já pensaram em mudar o rumo da vida, trocar de profissão.

“Foi o magistério que eu fiz opção e quero que ele seja valorizado. Então, vou estar junto com minha categoria, lutando por melhores condições de trabalho e por reconhecimento e valorização da profissão. Jamais pensei em mudar”, completou o professor Julio Barros.

A pesquisa do "Todos Pela Educação" mostra que nas regiões Norte e Sudeste a situação dos professores está pior ainda.

No Norte porque o salário dos professores ficou sem reajuste e no Sudeste a remuneração das outras profissões subiu bem mais que a dos professores.

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