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Presidente do Simers (Sindicato Médico do Rio Grande do Sul) diz que médica acertou ao não atender bebê de mãe petista

"Ela tem que se orgulhar disso. Não tem que se arrepender", diz presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) sobre médica que negou atendimento a bebê de 1 ano após descobrir que a mãe da criança era petista

Na última semana, Pragmatismo Político publicou o caso da pediatra que recusou atendimento a um bebê de 1 ano depois de descobrir que a mãe da criança era filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), no Rio Grande do Sul (relembre aqui).

“Fiquei tão chocada que a sensação, na hora, era de que tinham me dado um soco no estômago! Nada pode ser pior que envolver teu filho nessa canalhice toda”, desabafou a mãe.

O episódio também gerou indignação entre os leitores do site.

“Um caso sério de desvio de conduta, um equívoco lamentável, uma médica jamais poderia colocar discordâncias políticas acima de suas responsabilidades profissionais”, escreveu o leitor Gustavo.

O repúdio, porém, não foi compartilhado por Paulo de Argollo Mendes (imagem acima), presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers). Em entrevista ao portal Diário Gaúcho, Argollo afirmou que a pediatra denunciada não tem que se arrepender do que fez, mas “se orgulhar, porque agiu de maneira ética e honesta”.

Confira trechos da entrevista:

Como que o sindicato vê a atitude da médica?

PAULO ARGOLLO – É absolutamente ética. O código de ética médico tem um artigo que estabelece como deve se dar a relação entre médico e paciente. Tem coisas muito claras. Por exemplo, se é uma urgência ou se tu és o único médico da cidade, tu atendes e ponto. Não tem condicionais, é a tua obrigação. Tu não és o único médico da cidade e o paciente tem a possibilidade de escolher outros profissionais, daí tu tens que ser honesto, tem que ser leal com o teu paciente. Se tem alguma coisa que te incomoda e que tu achas que vai prejudicar a tua relação com o teu paciente, se tu não vais se sentir confortável, se não vai ser prazeroso para ti atender aquela pessoa, tu deves dizer para ela francamente: olha, prefiro que tu procures um colega.

Ela demostra arrependimento?

PAULO ARGOLLO – Não. Não tem porque se arrepender. Ela tem que se orgulhar disso. Tem que se orgulhar de ter cumprido o código de ética, ter sido clara, honesta.

O médico deve atender apenas pessoas com quem ele se dá bem?

PAULO ARGOLLO – Não, eu acho que ele deve evitar atender as pessoas que percebe que, por algum motivo, não vai se dar bem.

A criança foi prejudicada?

PAULO ARGOLLO – Absolutamente não. Existem milhares de médicos em Porto Alegre que podem dar um atendimento tão bom quanto esta doutora.

E se acontecesse com o senhor?

PAULO ARGOLLO – Eu gostaria muito que o médico fosse franco, que ele não fosse um fingido, ficasse fingido que tem prazer e alegria em me atender quando, na verdade, ele está representando um papel.

Outras polêmicas

Não é a primeira vez que o presidente do Simers se comporta de maneira contestável. Em 2013, período em que desembarcavam no Brasil os médicos cubanos que integrariam o programa Mais Médicos, Argollo foi um dos mais fervorosos críticos dos profissionais de medicina da ilha caribenha.

“Nós somos frontalmente contrários à vinda [dos cubanos], é enganação, pura demagogia. Se um médico estrangeiro cometer eventual barbaridade, quem vai pagar? É uma insegurança absoluta para o próprio paciente”, disse, à época, ao portal Viomundo.

Ironicamente, o mesmo portal revelou que os dois filhos de Argollo cursaram medicina no Instituto Superior de Ciências Médicas de Camagüey, em Cuba, de 1997 a 2004.

 

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