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Karinny Oliveira: O ciclo da violência é perverso, mas nada é maior que a conquista da nossa dignidade

Karinny Oliveira ganhou as manchetes no final de 2014, após um divórcio conflituoso e diversas brigas na justiça envolvendo guarda de filhos, pensão alimentícia e ordens de prisão. Naquela época a hastag #SomosTodosKarinnyOliveira virou sinônimo de apoio e solidariedade com a causa. No mês da mulher, o Painel da Cidadania conversa com mulheres fortes, que souberam enfrentar as dificuldades da vida e tornaram-se exemplos de luta e superação. Conheça a luta de Karinny para retomar o direito de ser mãe.
 
GD: As informações às vezes são imprecisas, por isso quero saber de você: quando isso tudo começou?
 
Karinny Oliveira: é difícil datar, porque a violência doméstico-familiar vem se arrastando, até a pessoa notar que de fato é violência. E foi bem assim que aconteceu comigo. Antes da Lei Maria da Penha a gente não entendia que desconstruir a imagem da mulher dentro de casa também era uma forma de violência. E foi em 2007, quando a própria Maria da Penha foi dar uma palestra na faculdade, que eu entendi isso. Daí foi só o tempo de eu processar a informação. Eu parei e pensei: ‘é isso que vivo dentro de casa. Chega’. Então foi a partir daí que eu consegui pedir a separação oficialmente, porque de fato já havia me separado outras duas vezes.
 
GD: Qualquer um com bom senso teria visto que você não tinha condições de pagar pensão alimentícia. Isso não foi levado em consideração?
 
Karinny Oliveira: Em nenhum momento. Eu perdi a guarda dos meus filhos sem ser ouvida, sem ser citada. Eu não me nego a pagar pensão alimentícia. A questão é que eu fui condenada a pagá-la em cima de uma realidade que não existe. Ele [o ex-marido] alegou que eu tinha vínculo empregatício e só o que eu tinha era uma bolsa para estudar. Mesmo eu alegando que não tinha condições de pagar essa quantia [80% de um salário mínimo] a Justiça determinou que eu fosse presa.
 
GD: Imagino o quão difícil foi passar por uma situação como essa.
 
Karinny Oliveira: Pois é. Da primeira vez que recebi a ordem de prisão eu estava participando de uma atividade, um curso do Instituto Maria da Penha e fiquei sabendo disso lá. Era época de Natal e eu fiquei foragida 16 dias. A cada 24h num local diferente. Com a roupa do corpo. E depois disso as pessoas ligadas aos movimentos sociais começaram a se levantar para me dar apoio. Não para legitimar a condição de estar fugindo. Mas pelo absurdo mesmo, pelo abuso diante da violência institucional. A segunda ordem de prisão foi próxima ao dia das mães.
 
GD: E como você recebeu essa segunda notícia?
 
Karinny Oliveira: Dessa vez, em nível de recurso, o desembargador não só suspendeu, ele cassou essa ordem de prisão, proferindo uma sentença histórica, reconhecendo que o Poder Judiciário reproduziu violência de gênero, uma vez que eu não tive o meu direito resguardado, diante do devido processo legal, além de uma série de outras nulidades que são absurdas. Então foi uma vitória não só pra mim, mas para diversas mulheres em condições parecidas.
 
GD: Como tramita tudo isso na esfera judicial?
 
Karinny Oliveira: Nós conseguimos reverter esse quadro. Eu não tenho condição de pagar um especialista pra dar conta da complexidade da situação. São dez processos em comarcas diferentes. Mas o advogado e professor da Federal, Torquato Castro Jr, se solidarizou com a causa e estamos tentando chegar a um acordo.
 
GD: Todo esse reboliço atrapalhou a tua relação com teus filhos? Como é teu contato com eles hoje em dia?
 
Karinny Oliveira: Desde que eu perdi a guarda em 2012 eu passei a não vê-los. Não só isso, eu perdi completamente o contato com eles. É a maior violência que eu sofri. Minha filha fez 15 anos e eu não tive nenhuma notícia. (Pausa profunda). É um processo doloroso de esvaziamento. (Nova pausa). Você sai do núcleo familiar, mas você não sai dessa relação. Não tem como deixar de ser mãe. E é esse amor que me faz lutar.
 
GD: O movimento feminista tem ganhado cada vez mais força nos últimos tempos. O que você acha disso?
 
Karinny Oliveira: Pra mim foi um marco divisor de águas. Veja, nós não temos acesso às discussões de gênero, não temos acesso às questões de direitos humanos nos ensinos fundamental e médio. Nós somos criadas e educadas numa sociedade patriarcal e machista, que nos leva ao silenciamento. Se não fosse o movimento feminista eu não teria conseguido quebrar o silêncio. E não falo do ciclo da violência em si. Falo de hoje estar engajada, de ser uma voz desse movimento, de ajudar outras mulheres. Foi através do movimento feminista que consegui participar do curso no Instituto Maria da Penha e ter acesso a estudos e compreender isso de uma forma mais profunda. Então tenho hoje esse trabalho voluntário, como ativista. E se hoje você perguntar o que tudo isso significa pra mim eu vou te dizer que é sinônimo de luta.
 
GD: Existem homens (e até mulheres) que classificam essa onda de igualdade como ‘mimimi’. O que você tem a dizer a essas pessoas?
 
Karinny Oliveira: Isso é a própria reprodução do discurso opressor, na verdade. Achar que aquela que tá buscando seu espaço, querendo exercer sua cidadania e se empoderar, tá assumindo de alguma forma o papel de vítima. Isso parte da ignorância. Convido essas pessoas a refletir sobre, a estudar um pouco mais. A debater esse assunto. Acho que a não discussão sobre assuntos de gênero leva justamente a esse tipo de pensamento. Então refaço o convite: saiam da zona de conforto e vamos debater equidade de gênero.
 
GD: Você recebeu grande apoio da sociedade em geral, mas essa não é a realidade da maioria das mulheres. Que conselho você poderia dar a essas mães, na tentativa de quebrar o silêncio? 
 
Karinny Oliveira: Veja como o ciclo é perverso: você está sofrendo violência moral, física, sexual, patrimonial, seja o que for. Se você contar pra alguém, a própria família é a primeira a dizer: ‘não, isso passa’. Na igreja: ‘a mulher foi feita para servir o marido’. Na Justiça eu ouvi um ‘minha filha, você sabe com quem está brigando?’ Até que ponto nós temos estrutura para quebrar esse ciclo? As mulheres ainda têm medo de romper o silêncio. Mas não é falta de coragem. É tudo isso que nos coloca em extrema vulnerabilidade. Então quero dizer pras mulheres exatamente isso: A violência não nos define. Nada é maior do que a conquista da nossa dignidade. Não desistam.
 
Texto: João César Xavier
Foto: Ubiratan Egito

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