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Hoje na História: 1808 - Sinfonia n.º5 de Beethoven é executada pela primeira vez em Viena

Execução foi tão medíocre que obrigou o compositor, praticamente surdo, mas que atuava como regente, a interrompê-la para reiniciá-la desde o começo

Estreia em 22 de dezembro de 1808 a Sinfonia n.º5, em Dó menor, opus 67, de Ludwig van Beethoven, em Viena. Se as críticas iniciais deixaram de reconhecer na Sinfonia n.º5 uma das maiores peças musicais jamais escritas, é necessário entender as condições adversas sob as quais a obra foi pela ouvida primeira vez.


No local do concerto fazia um frio de rachar. Passaram-se duas horas de um programa enorme de mais de quatro horas de duração antes da sinfonia começar a ser executada e a orquestra havia ensaiado pouco. No dia, a execução foi de tal forma medíocre que obrigou o compositor, praticamente surdo àquela altura, mas que atuava como regente, a interrompê-la em uma determinada passagem para reiniciá-la desde o começo. Foi, em tudo e por tudo, um início pouco auspicioso para um acontecimento cultural que logo se tornaria a peça da música clássica mais conhecida em todo o mundo.


Também estreou nessa mesma noite no Teatro An der Wien em Viena, o Concerto para Piano e orquestra nº 4 em Sol maior, opus 58 e a Sinfonia nº 6 em Fá maior, opus 68, a “Pastoral”. No entanto foi a Sinfonia n.º5 que, a despeito de sua insegura ‘première’, seria finalmente reconhecida como a maior conquista de Beethoven até esse ponto de sua carreira. Escrevendo em 1810, o crítico E. Hoffman consagrou Beethoven por ter superado os grandes Haydn e Mozart com uma obra que “nos abre de porta em porta o reino do colossal e do imensurável evoca o terror, o medo, o horror e a dor e desperta aquele anseio inesgotável que é a essência do Romantismo."



Essa percepção resistiria à passagem do tempo e a Sinfonia n.º5 rapidamente se tornou a quintessência do repertório clássico para as orquestras em todos os quadrantes. Beethoven, conhecido em seu tempo como ‘Tondichter’ “o poeta dos sons” abraçou o Iluminismo e se tornou defensor da Revolução Francesa, cujos ideais podem ser musicalmente notados, especialmente no segundo e no quarto movimento da 5ª Sinfonia. 

Construção


Esta obra traz uma das introduções musicais mais poderosas e impactantes jamais escritas: um ‘fortíssimo’ – sol, sol, sol, curtos, e um mi bemol, um pouco alongado – verdadeiro desafio para maestros, orquestras e público. O universo sonoro construído com base em quatro simples notas nos leva a uma dimensão musical nunca dantes conquistada. O professor de Hector Berlioz, Jean-François Le Sueur, quando a ouviu, ficou alucinado: “Quando saí da sala de concertos e tentei colocar o chapéu, não consegui encontrar minha cabeça”.



Contudo, além de suas qualidades revolucionárias como uma composição erudita, a Sinfonia n.º5 se mostraria com um enorme e duradouro poderio pop-cultural, graças principalmente ao motivo suscitado por suas primeiras e penetrantes quatro notas iniciais. Ela foi usada durante a Segunda Guerra Mundial para abrir a programação da rede BBC porque imitava a letra V, de Vitória, do código Morse.



Popularização



Não nos damos conta, mas Beethoven está presente até hoje em nosso dia-a-dia. Na entrega domiciliar do gás que é acompanhada da deliciosa composição juvenil ‘Für Elise”, nos comerciais da TV, a propaganda de uma lâmina de barbear, na trilha sonora de filmes como Laranja Mecânica de Stanley Kubrick, Minha Amada ImortalCopiando Beethoven, no brasileiroAppassionata.



Arturo Toscanini regeu-a em 8 de maio de 1945 em Nova York em homenagem ao Dia da Vitória. A transmissão da rendição das tropas do general Von Paulus ao Exército Vermelho em Stalingrado, em fevereiro de 1943, foi feita em Berlim, através da rádio alemã, pelo general Zeitzler, chefe do Alto Comando da Wehrmacht, precedida do rufar abafado de tambores e da execução do segundo movimento – andante com moto – da 5ª Sinfonia.



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