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Maria Luiza. Há 30 anos, uma onda vermelha tomava conta de Fortaleza

Eleita em uma das mais acirradas disputas da história, a "administração popular" foi marcada por greves e divisões internas, mudando rumos da esquerda e da política cearense

Trinta anos após sair vitoriosa das urnas de Fortaleza, Maria Luiza Fontenele ainda mantém ar contestador que a alçou à condição de 1ª mulher prefeita de uma capital do Brasil. Símbolo de um imaginário alavancado pela queda da Ditadura e a abertura política, o olhar crítico que desafiou coronéis não poupa hoje nem a própria administração: “Houve momentos de vacilação, talvez pela inexperiência, que levaram à desmobilização”, diz.

Candidata considerada sem chances no início da campanha, a então petista conduziu corrida histórica que emocionou a cidade e surpreendeu adversários. A “virada” de 15 de novembro de 1985 acabou se transformando em experiência turbulenta, a ponto de, ainda prefeita, Maria ter sido expulsa do PT.

Dividida em um racha político, a gestão conviveu de início com herança de dívidas, acúmulo de lixo em toda a cidade e período de fortes chuvas. O Município sofria ainda efeitos da seca de 1983, que trouxera levas de retirantes.

“A cidade estava um caos, com dívidas, e aí o mundo desabou em chuva”, lembra a ex-prefeita. “Foi quando tive minha primeira vacilação. Havia na época um movimento que pedia que fosse decretado o estado de calamidade pública, o que eu não fiz”, diz. Segundo ela, a opção aprofundou divisão interna da gestão.

Em autocrítica, a ex-prefeita também disse lamentar falta de diálogo maior com partidos e correntes de esquerda. “A esquerda estava contra, o PT ficou dividido e até minha corrente no partido dividiu-se. Eu mobilizava prefeitos para ir a Brasília, e quando ia ver o PCdoB estava queimando caixão meu na rua”.

“Onda vermelha”

Embalada pela canção “Maria, Maria”, de Milton Nascimento, a campanha de Maria Luiza tomou Fortaleza. Na época, pesquisas apontavam vitória folgada de Paes de Andrade (PMDB), que somava mais que o dobro das intenções de votos dos outros adversários. A petista aparecia na 3ª posição, atrás de Lúcio Alcântara (PFL, na época).

“No último dia de campanha, fomos fazer pesquisa com os eleitores que passavam no Centro. E nos assustamos quando percebemos que as pessoas, principalmente os jovens, já passavam cantarolando a música da campanha”, diz o deputado federal José Guimarães (PT), coordenador da campanha.

Contrariando as pesquisas, a cidade vivia clima de vitória da petista. Foi o que aconteceu. Como não havia segundo turno, Maria foi eleita com cerca de um terço dos votos. “Ela encarnou como ninguém o sentimento da redemocratização. O eleitorado queria mudança, mostrar independência”, diz Lúcio Alcântara.

Mal passada a euforia da vitória, começaram os problemas. Com dois meses de gestão, a primeira greve de servidores. Só de motoristas de ônibus, foram sete. Greves também pararam o IJF, chegando a provocar mortes por falta de atendimento.

Em meio a isso, a Prefeitura apostou na reforma da máquina. Segundo Maria, o número de contracheques caiu de 46 mil para 26 mil. “Talvez nisso eu tivesse até dado uma maneirada (risos). Reações foram violentas”, brinca.

Sem autonomia financeira, a gestão foi prejudicada por boicotes dos Governos Estadual e Federal - ambos opositores. Inadimplência provocou até bloqueio de repasses ao Município. Maria jogou a culpa no governo José Sarney (PMDB), chegando a fazer greve de fome como protesto.

Se as condições eram graves, mais crítica era situação política da prefeita. Em 1987, PT rompeu com Maria e a expulsou. Em 1988, o PT lançou Mário Mamede candidato. Já Maria apoiou Dalton Rosado, do PH. Foi eleito Ciro Gomes (PMDB). Era o fim da “administração popular”.

Bastidores

Apesar de admitir equívocos da gestão, José Guimarães destaca a experiência como “essencial” para a esquerda cearense. “As experiências não podem ser jogadas na lata de lixo da história. Precisam ser aprimoradas. Fortaleza era outra, o Brasil era outro. E para a época, foi um avanço popular extraordinário”, diz.

Nos dias que antecederam a eleição, a campanha de Maria ganhou apoio decisivo de motoristas de ônibus da cidade, que distribuíam panfletos da petista.

Na época, a gestora diz ter sido alvo de ataques machistas, acusada, inclusive, de ser proprietária de bordéis.

No último dia da eleição, Maria Luiza visitou o ginásio Paulo Sarasate, onde ocorria a apuração. No local, foi recebida por Mauro Benevides, que já admitia a derrota.

No início da gestão, aliados da prefeita acusaram o governo do Estado de espalhar lixo pelas ruas de Fortaleza.

Cronologia

10 de novembro de 1985 Evento com “teatro de bonecos” de Maria Luiza leva multidão com milhares de pessoas a uma Praça da Messejana. A adesão inesperada surpreendeu campanha petista e imprensa, indicando crescimento da candidatura.

13 de novembro Maria realiza seu último comício antes da eleição, na Praça José de Alencar. Número de presentes supera em muito a adesão a evento de Paes de Andrade, realizado ao mesmo tempo também no Centro da cidade.

15 de novembro No dia da eleição, pesquisas de todos os três maiores institutos apontavam vitória folgada de Paes de Andrade. Em toda a Capital, no entanto, surgem movimentos que espalhavam faixas e cartazes vermelhos por toda a cidade. A apuração chegou a ser paralisada, o que provocou manifestações e ameaças de sequestro de urnas.

17 de novembro Com 159,8 mil votos, 11,4 mil a mais que Paes de Andrade, Maria Luiza é confirmada prefeita de Fortaleza. Antes mesmo do anúncio oficial, petistas comemoravam a vitória no entorno do ginásio Paulo Sarasate. Após a confirmação, multidão vai à sede do jornal O POVO. Festa percorre diversos bairros da Capital e dura toda a madrugada.

18 de novembro Em seu primeiro pronunciamento como prefeita eleita, Maria Luiza anuncia que interesse de colocar a Prefeitura “a nu”, para “expor toda a corrupção”. Logo no 1º dia como eleita, a petista inicia negociações sobre aumento da passagem de ônibus em Fortaleza.

10 de dezembro Maria Luiza é diplomada como prefeita de Fortaleza. Na Assembleia, cerimônia é tomada por coro da canção “Maria, Maria”, tema da campanha petista.

1º de janeiro de 1986 Maria Luiza Fontenele toma posse como prefeita de Fortaleza. Evento tem participação do então presidente nacional do PT, Luiz Inácio Lula da Silva.

8 de janeiro Identificando grandes dívidas no funcionalismo municipal, Maria pede empréstimos emergenciais para bancos públicos. A falta de recursos para pagar servidores seria problema recorrente. Denunciando “mar de lama” no município, ela começa a cortar contracheques na gestão.

5 de fevereiro Vereadores de Fortaleza formam bloco majoritário de oposição e saem em ataque à gestão Maria Luiza. Eles criticam atraso no envio da mensagem do plano de governo petista.

15 de fevereiro Servidores municipais anunciam greve. Conflitos seriam constantes durante a gestão petista.

O COORDENADOR

José Guimarães: Nos dias da apuração, circulavam dois resultados diferentes: Um com o Paes de Andrade na frente, e outro com a Maria. Mas as ruas estavam empilhadas. Nós chegamos no Paulo Sarasate e vimos só uma onda vermelha, que contaminou a cidade. Era um sentimento de mudança, de rebeldia muito grande. Uma cidade sempre oposicionista, que deu surpresa para toda a política nacional. A campanha foi feita pelas massas, nós perdemos o controle. Tudo respondíamos à altura e foram grandes jogadas e slogans, um marco na história. Chegamos no ginásio e o pessoal do PMDB já estava saindo. O Mauro Benevides, um dos líderes do partido, pegou na mão dela e disse “você já está eleita”.

O OPOSITOR NA DISPUTA ELEITORAL

Lúcio Alcântara: O resultado foi surpreendente. O Paes de Andrade era o franco favorito, e acabou que nós três tivemos votações bem próximas. Para mim foi difícil, porque foi minha 1ª eleição direta, mas tive votação muito maior que a esperada. O Paes acabou surpreendido, porque ele parecia praticamente eleito. Foi um movimento imperceptível, dos últimos dias.. Era um movimento comemorando o fim do regime militar, uma explosão de liberdade, que resultou na eleição da Maria. Ela encarnou como ninguém o sentimento da redemocratização. O eleitorado queria mudança, mostrar ter independência. Ela também era deputada estadual e era atuante, então teve uma projeção boa. Mas se esse contexto foi bom para ela, acabou prejudicando também, porque era uma época também de muitas expectativas, muitas aspirações, cobranças, greves. Foi uma conjuntura difícil, que levou a uma gestão complicada para quem não tinha experiência como ela.

http://www.opovo.com.br/app/opovo/dom/2015/11/14/noticiasjornaldom,3534171/maria-luiza-ha-30-anos-uma-onda-vermelha-tomava-conta-de-fortaleza.shtml

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