Revista Veja: quando o jornalismo se presta a mentir ~ Pacatuba Em Foco
Tecnologia do Blogger.

APEOC

Postagens Populares

Sample Text

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation test link ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.

Duis aute irure dolor in reprehenderit in voluptate another link velit esse cillum dolore eu fugiat nulla pariatur.

Arquivo do blog

Categories

Definition List

Definition list
Consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua.
Lorem ipsum dolor sit amet
Consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua.

Pages

Support

Need our help to upload or customize this blogger template? Contact me with details about the theme customization you need.

Ordered List

  1. Lorem ipsum dolor sit amet, consectetuer adipiscing elit.
  2. Aliquam tincidunt mauris eu risus.
  3. Vestibulum auctor dapibus neque.

Unordered List

  • Lorem ipsum dolor sit amet, consectetuer adipiscing elit.
  • Aliquam tincidunt mauris eu risus.
  • Vestibulum auctor dapibus neque.

Futebol Ao Vivo

Futebol Ao Vivo

Participe pelo Whatsapp 85 988 621 206

Revista Veja: quando o jornalismo se presta a mentir

Por Mariana Chies Santiago Santos

No mês de abril, enquanto ainda morava na França, um jornalista da Revista Veja entrou em contato com meu orientador de doutorado para esclarecer a situação do Sistema de Justiça Juvenil francês. Como estava fazendo meu doutorado lá sobre o tema, meu orientador me pediu para conversarmos com o jornalista e esclarecermos algumas questões. No dia 16 de abril fizemos um Skype (eu, meu orientador e o jornalista) de mais de uma hora para explicar o sistema de Justiça Juvenil francês e expor as nossas opiniões, embasadas em dados científicos, sobre a redução da maioridade penal no Brasil.

Infelizmente, o repórter que estava em contato conosco, disse que não sabia quando a reportagem sairia, mas se comprometeu a nos enviar as partes em que seríamos citados antes da publicação, para receber o nosso aval, já que não gostaríamos que os fatos fossem distorcidos e que a realidade ficasse escondida atrás de interesses escusos.
Há poucos dias, já de volta ao Brasil, recebi um e-mail de uma outra jornalista da Revista Veja pedindo para que eu respondesse algumas outras questões sobre o tema da Justiça Juvenil na França. Como já tinha me comprometido anteriormente com a redação da revista, achei que seria interessante continuar respondendo às questões. Foi então no dia 8 de junho que nos falamos por telefone e ela me enviou as perguntas por e-mail para que eu pudesse responder. Mantivemos contato por toda a semana, enviei documentos oficias, traduzi parte deles, fiquei algumas horas dos meus dias tentando explicar, da maneira mais didática possível, como funcionava a maioridade penal e todo o sistema de justiça juvenil na República Francesa – coisa que eu ainda estou aprendendo também.

Para minha surpresa, no dia 14 de junho, quando comprei a revista me deparei com uma tabela que mostra que na França os adolescentes são “julgados como adultos” a partir dos 13 anos de idade. Isso é, com todo respeito, mentira. De acordo com e-mail que eu enviei à jornalista no dia 08 de junho, eu deixei claro que a idade de responsabilização penal do adolescente começa a partir dos 13 anos e que, para ser julgado como adulto, ele precisa ter 18 anos. No Brasil, a responsabilização penal começa aos 12 anos, ou seja, ainda antes que na França. Na Argentina, por exemplo, ela começa aos 16 anos. Mas isso não significa que o adolescente, em nenhum dos países, vá ser julgado como adulto. Isso está na lei francesa e para os que quiserem comprovações, por favor, acessem L’Ordonnance du 2 février 1945 – lei que regulamenta a Justiça de Menores francesa – criada na época do Governo Provisório, logo após a Liberação da Segunda Guerra Mundial:

[…] a França não é tão rica assim de crianças e adolescentes, para que ela possa negligenciar todas as ações que podem ser feitas para transformá-los em pessoas saudáveis. A guerra e todas as revoltas causadas por ela, de ordem material e moral, fizeram crescer, em proporções inquietantes, a delinquência juvenil. O projeto dessa lei atesta que o governo francês, composto pelo Primeiro Ministro, Ministros e Secretários de Estado, são responsáveis pela execução das leis e pela direção da política nacional provisória da República Francesa, através das quais, deverá proteger de maneira eficaz os menores de idade e, especialmente, aqueles delinquentes (MINISTÉRIO DA JUSTIÇA/FR). (1)

O que me entristece, além da óbvia manipulação dos fatos, é que a Revista Veja se propôs, como diz em sua reportagem a “abordar o problema de maneira corajosa, racional e baseada em fatos” (Edição do dia 17 de junho, fls. 42-43). A Revista se dispôs a ficar 2 meses pesquisando um tema e publicou, sabidamente, falácias, mesmo após ter falado com pessoas que trabalham com o tema na França diuturnamente.

Quando eu comecei minha carreira acadêmica – que, diga-se de passagem, é ainda extremamente jovem – um professor, que ainda é uma das minhas grandes referências em Segurança Pública, Direitos Humanos e Justiça Criminal, me disse que precisávamos ocupar os espaços com os quais não concordamos. Somos estudiosos, de acordo com ele, que se dispõem a estudar temas que são muito sensíveis a realidade do nosso e de outros países. E as pessoas precisam ter acesso aos nossos trabalhos e às nossas pesquisas. Esse foi um dos motivos que me fizeram aceitar conversar com a Revista Veja. Acreditar que a pesquisa científica – na área das Ciências Sociais e Ciências Sociais Aplicadas – é capaz de transformações sociais de grandes magnitudes. A pesquisa é capaz de trazer informações baseadas em fatos e dados e dispô-las para a população, para que se enxergue o que realmente está em jogo.

Já estou bastante abatida pelo ocorrido – mas isso não importa, porque não é o que vai me fazer desistir da luta que eu travo todos os dias contra um sistema que só faz afastar mais jovens do seio da nossa sociedade. Isso que ocorreu não vai deixar que eu desacredite no diálogo como base para as transformações. Aos jornalistas da Revista Veja, que se apropriaram de informações disponibilizadas como bem entenderam, fica meu apelo: o papel de vocês de propagadores de informações é essencial para a democracia. Não deixem que interesses maiores passem por cima da realidade. Não propaguem falsas informações. A juventude brasileira precisa de vocês – sim, de vocês também – para barrar essas propostas retrógradas e oportunistas que estão colocadas em nosso Parlamento. Acreditem no serviço que vocês prestam, mas façam ele de maneira transparente e sem falsas premissas. Uma coisa é certa: não negociaremos com fascistas.

Mariana Chies Santiago Santos é doutoranda em Sociologia pelo Centre de Recherche sur le Droit et les Institutions Pénales do Ministério da Justiça francês e pela UFRGS. Sub-coordenadora da Comissão da Infância e Juventude do IBCCrim e Advogada do G10/PIPA/SAJU/UFRGS.

Fonte:http://www.sul21.com.br/jornal/revista-veja-quando-o-jornalismo-se-presta-a-mentir-por-mariana-chies-santiago-santos/

←  Anterior Proxima  → Inicio

FanPage do Pacatuba Em Foco

Mais Acessadas

APEOC

SERIPAN

SOARTE

RADIOSNET

Total de Transeuntes