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Cearense entra para o “hall da fama” de universidade americana

Estudante de Física, Felipe Manoel, da cidade de Bela Cruz, alcançou nota máxima durante período de intercâmbio nos EUA, em universidade do estado de Illinois

Estudar fora do Brasil é o desejo de muitos estudantes brasileiros. Estudar nos Estados Unidos, país famoso por ter as melhores universidades do mundo, e ainda mais com direito a uma bolsa, é quase um sonho. Um jovem cearense de Bela Cruz, a 242 km de Fortaleza, conseguiu essa chance. E mais, entrou para o hall da fama de famosa universidade americana.

Manoel Felipe de Sousa, 24 anos, é aluno do 6º  semestre do curso de Física do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) do Campus de Acaraú, localizado na região Norte do estado. Em 2012, o jovem participou de uma seleção para intercâmbio promovido pelo programa do governo federal Ciências Sem Fronteiras. Fez a prova para entrar em 2013 e passou. Permaneceu por 1 ano e 4 meses na Western Illinois University, em Macombs, estado de Illinois, no oeste dos EUA. Lá, devido ao ótimo desempenho, entrou para a Dean’s List, a chamada lista do reitor que contempla os melhores alunos da universidade.

De família humilde, dois irmãos mais novos, pai autônomo e mãe dona de casa, Felipe sempre estudou em escola pública. “Meus pais não terminaram o ensino regular. Desse modo, eles sempre incentivaram meus irmãos e eu a estudar e batalhar por algo melhor”, comenta. O jovem, que sempre gostou de física e matemática desde o ensino médio, não hesitou na escolha do curso. Ao ingressar na faculdade, Felipe teve algumas dificuldades em acompanhar o nível das cadeiras. Por ter estudado em escola pública, a base para essas disciplinas não foram eficientes para preparar o jovem, mas ele não desistiu. O difícil não foi entrar, mas permanecer. “Quando tive a oportunidade de cursar uma dessas disciplinas que eu gostava, que foi essa no IFCE, eu abracei-a, tive o apoio dos meus pais e me identifiquei de verdade com a área”, ressalta.

O sonho de estudar no exterior sempre acompanhou Felipe, desde a infância. Conhecer o estilo de vida e outras culturas de outros países, para ele, era algo fascinante. Por isso, quando soube que poderia ter essa oportunidade por meio do Ciências Sem Fronteiras não pensou duas vezes e se inscreveu. “Além da oportunidade de conhecer outras culturas, quando decidi participar desse programa, eu queria adquirir um aprendizado que me fizesse crescer profissionalmente e pessoalmente”.  Com coragem, um sonho em mente e apoio dos professores, Felipe fez a prova e passou. “De inicio, eu não acreditei que tinha sido aprovado, fiquei muito feliz”.

O desafio do jovem começou no processo de seleção para o intercâmbio. Felipe, que tinha apenas o nível básico de inglês, se inscreveu para Portugal por não ter intimidade com outros idiomas, porém a chamada foi cancelada e algumas pessoas foram realocadas, e ele foi uma delas. Optou, então, pelos Estados Unidos, e teve de fazer um curso intensivo de inglês para poder entrar no acadêmico. “No início do intercâmbio, tive muita dificuldade em me comunicar. Eu não entendia quase nada do que as pessoas de lá falavam. Graças ao curso intensivo, e com muito esforço, essas barreiras foram sendo vencidas”, relembra.

Sem nunca ter viajado de avião, o receio de entrar em um país diferente foi sumindo aos poucos a medida que a viagem acontecia. A ficha de Felipe só caiu que havia conseguido realizar o sonho quando chegou em solo americano. As passagens de ida e volta e toda a hospedagem no campus da universidade americana foram custeados pelo programa.

No intercâmbio, a rotina de Felipe era dividida entre os estudos acadêmicos da sua área e o curso intensivo para aperfeiçoar o idioma inglês. “Ainda pude conhecer alguns laboratórios de Física e Astronomia e participar de alguns eventos”, pontua. Por lá, além dos colegas brasileiros do seu grupo, fez amizade com outros estrangeiros que, nos momentos de “folga” do estudante, serviam de guia para o brasileiro, o acompanhando em passeios além do campus, como parques ecológicos da cidade e típicos barzinhos americanos.

Graças ao empenho em enriquecer o aprendizado em sua área, Felipe alcançou a nota máxima da universidade. Nos EUA, a escala de notas usada é de 0.0 a 4.0. “Eu obtive 4.0 em meu coeficiente de rendimento durante  toda a minha permanência lá. Fiquei até surpreso quando eu tomei conhecimento”, ri. A nota permitiu ao aluno entrar na Dean’s List da instituição, que funciona como uma lista de honra onde apenas os melhores alunos do ano letivo, ou em estadia acadêmica, como é o caso de Felipe, conseguem entrar.

No último dia 22, Felipe recebeu do reitor do IFCE, Virgilio Augusti Sales, em seu gabinete em Fortaleza, o certificado emitido pela Western Illinois University em reconhecimento ao desempenho do estudante. “Eu adorei ter conhecidos novos costumes e culturas. Não só a cultura americana, mas também culturas de outros países através de pessoas que eu também tive contato. Além disso, eu gostei de fazer novas amizades que vou levar pra vida inteira”, comemora.

Atualmente, Felipe está de férias, com retorno previsto para a volta às aulas em maio. Faltando dois semestres para se formar, o jovem pretende continuar os estudos e pós-graduação no Brasil ou no exterior. “Após isso, pretendo ser um professor e pesquisador de alguma universidade ou órgão”, finaliza.

Ciências Sem Fronteiras

Ciência Sem Fronteiras é um programa do Governo Federal que financia bolsas para  estudantes brasileiros por meio de intercâmbios. A iniciativa, feita pelo conjunto dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério da Educação (MEC), por meio de suas respectivas instituições de fomento – CNPq e Capes –, e Secretarias de Ensino Superior e de Ensino Tecnológico do MEC, busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira. O objetivo do projeto prevê a utilização de 101 mil bolsas em quatro anos para promover intercâmbio, de forma que alunos de graduação e pós-graduação façam estágio no exterior com a finalidade de manter contato com sistemas educacionais competitivos em relação à tecnologia e inovação.

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