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Página Poética - Monguba por Luiz Viana

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Página Poética - Monguba por Luiz Viana

 


Monguba

O lindo em nossa Monguba
É quando muito cedinho,
Bem ali no oriente, logo após o gavião
Se vê o levantar do sol
Como a sair do chão.

À tardinha no terreiro
Se olha o descer ligeiro
Já bem quando o dia encerra
Ver ali no ocidente
O sol adentrar a serra.

À noite a lua ainda
Parece ser a mais linda
Lua de todo país.
À madrugada a estrela d'alva a segue
Dando um adeus a esse povo feliz.

( Luiz Viana )

Sistema Verdes Mares demite pelo menos 20 profissionais da Comunicação

Prestes a inaugurar novos estúdios e uma redação multiplataforma, maior grupo de comunicação do Ceará demite 20 profissionais da área. 


Vinte trabalhadores e trabalhadoras foram desligados/as, nesta quinta-feira, 20 de setembro, do Sistema Verdes Mares. São jornalistas, radialistas e outros/as profissionais da área da Comunicação que atuavam no Diário do Nordeste, na TV Verdes Mares, na Rádio Verdes Mares e na TV Diário. Sem justa causa, alguns foram desligados com 30 anos de serviços às empresas.

LEIA ABAIXO, NA ÍNTEGRA, NOTA CONJUNTA ASSINADA PELO SINDJORCE E PELA FENAJ:

Reestruturação, readequação, convergência, integração. Eufemismos corporativos foram usados pela direção do Sistema Verdes Mares para justificar as demissões em massa de jornalistas, radialistas e outros trabalhadores no Diário do Nordeste, na TV Verdes Mares, na Rádio Verdes Mares e na TV Diário, ocorridas nesta quinta-feira (20/09). Em plena data-base do segmento de mídia impressa, pelo menos dez jornalistas do Diário foram dispensados sem justa causa. Desses, seis eram editores – profissionais com 15, 25 e 30 anos dedicados ao periódico da família Queiroz. Ao todo, 20 trabalhadores da comunicação foram desligados sem justa causa.

Os cortes nas redações causaram profunda indignação e comoção em toda a categoria dos jornalistas no Ceará por enviar o claro recado de que trabalhadores são materiais descartáveis na engrenagem do negócio da Comunicação. Ao mesmo tempo em que abdicaram de fazer Jornalismo, os donos da mídia continuam ávidos por mais lucros. Numa conta que não fecha, quem paga é o trabalhador e a trabalhadora. O critério para as demissões, ao que se evidencia pelo perfil da maioria dos desligados, foi dispensar os mais antigos da empresa e com maiores salários.

Aos jornalistas foi dito, no ato da dispensa, que “não se encaixavam no novo modelo de redação”. A outros, que “não havia espaço para todo mundo”. A explicação – fria, vaga e tecnicista – só demonstra o lamentável descaso do Sistema Verdes Mares com profissionais que dedicaram anos de suas vidas ao sustento e ao crescimento dos veículos do grupo. Entre os colegas dispensados estão profissionais mais premiados do Brasil e editores de cadernos considerados referência de qualidade no Jornalismo regional e nacional.

Além da frieza cruel ao tratar da dispensa de profissionais com lastro no jornalismo, a direção do Sistema Verdes Mares ainda promoveu um verdadeiro clima de terror em suas redações ao não comunicar os demais trabalhadores sobre os cortes – que também atingem outras áreas das empresas. O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) e a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) repudiam as demissões imotivadas e coloca-se à disposição de todos os jornalistas dispensados.

A assessoria jurídica do Sindjorce está analisando possíveis irregularidades cometidas pelo grupo empresarial durante as demissões. Para além da solidariedade, a diretoria do Sindicato reforça que esse dia triste para o Jornalismo e para os jornalistas cearenses não passará despercebido, como queriam os donos da empresa ao tentarem até mesmo impedir que os trabalhadores fossem se despedir dos colegas nas redações. Aos que continuam empregados, o Sindjorce reforça a necessidade de união e participação ativa na luta contra a precarização da nossa profissão.

Fortaleza, 21 de setembro de 2018

Diretoria do Sindjorce

Diretoria da FENAJ

Quem foi Kwame Nkrumah, líder da primeira independência africana

Organizações africanas preservam a memória de um dos maiores revolucionários do continente


“Temos despertado. Não vamos mais dormir. Hoje, a partir de agora, há um novo africano no mundo! A nossa independência é sem sentido a menos que seja ligada com a libertação total de África.” 

Com essas palavras, em 6 de março de 1957, o líder político africano Kwame Nkrumah encerrou o seu discurso de independência de Gana. O país foi o primeiro a se libertar da metrópole inglesa no continente africano, influenciando o processo de luta pela independência na região.

E não por menos, as palavras e contribuições de Nkrumah são, até hoje, inspirações para os mais de 400 delegados, de 50 países, presentes na 3a Conference Pan Africanism Today (Pan-africanismo Hoje, em português), em Winneba, Gana.

Nesta sexta-feira (21), um ato em celebração ao Nkrumah foi realizado na Universidade de Educação da cidade, com a presença de lideranças políticas do continente e também seu filho, o professor Francis Nkrumah, de 90 anos. 

A data comemora o nascimento do líder do processo de independência do país e é um feriado nacional, conhecido como Founder’s Day (Dia do Fundador, em português).

Fred Mmembe, secretário-geral do Partido Socialista da Zâmbia, ressaltou a importância de Nkrumah para a busca de unidade na África. "Aqueles que pensaram que estávamos vencidos e que esse era o fim das ideias de Nkrumah, estão enganados. Os processos que começaram com Nkrumah há seis décadas serão resgatados hoje em Gana. O capitalismo não tem as respostas para os problemas da humanidade", disse. 

O fundador

O pan-africanista e socialista Kwame Nkrumah nasceu em Nkroful, vilarejo localizado no sul de Gana. Completou seus estudos na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, na década de 1950 — onde, mais tarde, também viria a lecionar.

Na época, o pan-africanismo se formava como movimento sociocultural. Lá, figuras como o jamaicano Marcus Garvey e o estadunidense W.E.B. Du Bois formavam o arcabouço teórico do movimento. Depois dos Estados Unidos, Nkrumah viveu em Londres, na Inglaterra, onde passou a assumir a militância pela unidade do continente africano.

A experiência e o contato com pensadores pan-africanistas o levou a criar, em 1949, o Convention People's Party (CPP), partido que liderou o processo de libertação da então Costa do Ouro. 

Quando Gana torna-se independente, em 1957, Nkrumah foi declarado Osagyefo, que significa líder vitorioso. Ele assumiu a presidência do país três anos mais tarde, em 1960.

Na política externa, o líder apoiou os subsequentes processos de independência por todo o continente e com relações direta com líderes revolucionários como Patrice Lumumba, no Congo. E também na América Latina, com, por exemplo, Fidel Castro.

Em entrevista ao Brasil de Fato, o professor da Universidade Federal do ABC, Muryatan Barbosa, pós-doutor em História da África, explicou que o líder defendia que a descolonização deveria levar à unidade africana como um todo, para além das questões nacionais. 

"Isso trouxe uma nova roupagem, um novo teor à luta pan-africanista", pontuou o professor. "Nkrumah defendia que isso deveria ocorrer de forma rápida, enquanto outros defendiam que isso ocorreria gradativamente."

No governo, Nkrumah tentou industrializar a economia para reduzir a dependência de Gana do capital estrangeiro. Ele enxergava como a única forma do país romper com as novas formas de colonialismo. No entanto, com inúmeras obras e a economia ainda desestabilizada, o país se endividou rapidamente. 

Essa foi a justificativa para que ele fosse destituído do governo por um golpe militar em 1966. Ele se exilou em Conacri, na Guiné, onde auxiliou no processo de independência do país. Depois, foi convidado pelo presidente Ahmed Sékou Touré para ser co-presidente honorário do país.

Apagamento da memória

Após o golpe em Gana, os militares pediram para que todas as estátuas em homenagem a Nkrumah fossem destruídas, tombando cabeças e braços das obras. Hoje, algumas ainda permanecem danificadas na capital Acra. Essa foi a forma encontrada para perpetuar a memória da brutalidade do golpe. 

Também foi no período pós-golpe que Nkrumah passou a se definir como socialista marxista, lembrou Muryatan Barbosa. "Dali, até sua morte, em 1972, passou a defender essa percepção de um pan-africanismo de classe, stricto sensu. Isso reverberou na Diáspora, no Panteras Negras, já havia antecedentes claro, e tudo isso, no final dos anos 1960-70, aproximou o pan-africanismo do marxismo, com vários debates de classe", afirmou. 

Mas a tentativa de apagamento da história também se deu no plano ideológico. Fred Mmembe pontua que há uma tentativa de apaziguar a imagem radical de Nkrumah na História.

"Tentaram criar um novo Nkrumah que não era comunista, socialista e nem pan-africanista. Mas estamos aqui para retomar o Nkrumah que conhecemos. Não estamos aqui para reformar o capitalismo, mas para eleger estratégias socialistas para o mundo inteiro."

Legado

Nkrumah perseguiu por toda a vida a prática de uma utopia. Mas também foi um teórico pan-africanista. No exílio, escreveu dezenas de livros. Entre as obras mais conhecidas, estão Neo-Colonialism: the Last Stage of Imperialism, Dark Days in Ghana e Luta de Classes em África, único livro do autor a ganhar versão brasileira.

Para promover o legado de Nkrumah, considerado um dos principais líderes pan-africanistas do pós guerra (de 1945 em diante), o Sindicato dos Metalúrgicos da África do Sul (Numsa) e o Partido Socialista da Zâmbia fundaram a Nkrumah School. 

O local recebe pessoas de todo o continente para formação acadêmica e militante, como Carl Cloete, do Numsa. "Isto nasceu da compreensão que temos a tarefa revolucionária de produzir quadros à semelhança do presidente Nkrumah", explica.

Nkrumah morreu em abril de 1972, em Bucareste, Romênia, perseguindo por toda a vida a prática de uma utopia socialista e de unidade na África.

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